Foto de Victor Sánchez Berruezo na Unsplash
Uma alteração na legislação de trânsito impõe uma nova exigência para quem busca a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A partir de agora, candidatos às categorias A (motocicletas) e B (carros) também precisam passar pelo exame toxicológico de larga janela de detecção, um requisito que anteriormente era destinado apenas a motoristas profissionais.
O exame é capaz de identificar o consumo de substâncias psicoativas em um período prolongado, que pode chegar a até 90 dias. A análise é realizada a partir da coleta de amostras de cabelo, pelos ou unhas, detectando drogas como maconha, cocaína, anfetaminas e opioides.
De acordo com estimativas de órgãos ligados à saúde e à segurança viária, até 30% dos candidatos à primeira habilitação podem obter resultado positivo no teste. Em caso positivo, a emissão da CNH é temporariamente impedida, exigindo que o candidato aguarde um novo prazo para refazer o exame.
Especialistas em trânsito avaliam que a medida tem como objetivo contribuir para a redução de acidentes, ao identificar padrões de uso de substâncias que afetam a capacidade de direção. A mudança na lei segue em debate, e seu reflexo direto deve ser observado no número de novas CNHs emitidas no país.
Número de inscrições
De acordo com o governo federal, mais de 1,8 milhão de requerimentos para Carteira de Habilitação foram feitos até o dia 1º de janeiro de 2026, número que supera o modelo tradicional, através do qual foram feitas 57 mil solicitações diretamente nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans).
Portanto, caso as estimativas de que 30% dos candidatos à 1º CNH se concretizem, o Brasil registrará mais de 500 mil candidatos reprovados no exame toxicológico, número superior ao da população total de Porto Velho levantado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no último censo de 2022, que contabilizou 460.434 pessoas.
Reportagem: Fabiola Kopp - Fala Rondônia