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Com Flávio pré-candidato, bolsonaristas vão às ruas rachados sobre STF

Ato na Avenida Paulista deste domingo é o primeiro com Flávio Bolsonaro como escolhido pelo pai para disputar as eleições de outubro


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DANILO M. YOSHIOKA/ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka

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Pela primeira vez desde a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), bolsonaristas fazem ato neste domingo (1º/3) na Avenida Paulista com Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência. O tom das críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, não é consenso entre os organizadores.

Além de Flávio, outros dois presidenciáveis, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), confirmaram presença aos organizadores. Também candidatos à Presidência, os governadores Ratinho Jr., do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, foram convidados, mas não confirmaram participação.

Entre os entusiastas do ato, há uma divisão sobre o nível dos ataques ao STF. Uma ala dos bolsonaristas entende que a pressão por um impeachment do ministro Dias Toffoli, que saiu da relatoria do caso Master, pode ajudar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Claro que queremos o impeachment de ministros, mas esta seria a segunda prioridade. E tem uma questão política: a saída do Toffoli abre espaço para o Lula resolver um impasse político e, da mesma forma, renova um quadro indicado pelo PT na Corte", diz o deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) ao Metrópoles.

A avaliação desse grupo é que, com a cadeira de Toffoli vaga, Lula poderia nomear para o lugar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD), o que seria um atrativo de novos aliados do centrão para a campanha petista, principalmente em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Outra ala teme que o impeachment de Toffoli abra precedente para o impedimento de outros magistrados da Suprema Corte, como o ministro Alexandre de Moraes. Esse pensamento é vocalizado, por exemplo, pelo pastor Silas Malafaia.

"Para o Lula trabalhar para o impeachment de Toffoli, tem que trabalhar para o impeachment de Moraes. Então, ele não tem saída", afirma Malafaia ao Metrópoles.

Organizadores do ato cogitaram pedir a assinatura de um termo de responsabilidade para quem discursar no trio elétrico que estará estacionado na esquina da Paulista com a rua Peixoto Gomide.

O documento redigido por advogados foi pensado para que as falas não tenham ataques pessoais a instituições ou descumpram a legislação eleitoral, como a que veda propaganda eleitoral antecipada.

A ala bolsonarista que prefere evitar ataques a ministros do STF defende a anistia como pauta principal do ato. Diante dessa disputa sobre o tema principal do protesto, os organizadores elaboraram uma convocação com pauta difusa. Foram elencados seis assuntos: liberdade aos presos do 8 de janeiro de 2023, harmonia entre os Poderes, combate a corrupção, a aumento de impostos, a prejuízos de estatais e a aumento da criminalidade.

Pré-candidatos confirmados

Além dos presidenciáveis, ex-ministros do governo Bolsonaro, Rogério Marinho (PL-RN) e Gilson Machado (Podemos-PE), vão ao evento. Nas eleições, Marinho será coordenador da campanha de Flávio, enquanto Machado deve se candidatar ao Senado em Pernambuco. Fora do espectro eleitoral, o advogado de Jair Bolsonaro, Paulo Cunha Amador Bueno, também deve estar presente.

Nomes cotados ao Senado em São Paulo também confirmaram presença. É o caso dos deputados federais Mário Frias (PL-SP) e Marcos Feliciano (PL-SP) e do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL). O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), também deve ir ao ato.

Ato será bancado por vaquinha

De acordo com os organizadores, uma "vaquinha" promovida pelos parlamentares à frente da organização do evento deve bancar os gastos. Será alugado o trio elétrico "Demolidor". O custo estimado para o ato é de R$ 130 mil.


Ramiro Brites, Rebeca Ligabue - Metrópoles

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