Brasil

Brasil perde quase meio trilhão de reais com mercado ilegal em 2025

Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade aponta que perdas provocadas por contrabando, falsificação e pirataria


Imagem de Capa

Banco de imagem/ MJSP

Instagram Facebook Youtube Twitter

ACESSE NOSSAS REDES SOCIAIS
PUBLICIDADE

O mercado ilegal no Brasil atingiu a marca de quase meio trilhão de reais em 2025, segundo um levantamento do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade), divulgado nesta sexta-feira (6).

O estudo aponta que as perdas provocadas por contrabando, falsificação e pirataria somaram mais de R$ 473 bilhões no último ano, considerando 15 setores produtivos. O valor inclui R$ 326,3 bilhões em perdas diretas da indústria e R$ 146,8 bilhões em evasão fiscal.

Em 2020, o prejuízo no país era de R$ 288 bilhões. Em cinco anos, o avanço foi de 64%, o que representa um salto superior a R$ 185 bilhões. Em uma década, as perdas mais que quadruplicaram - um crescimento que consolida o mercado ilegal como um dos principais agentes de desequilíbrio econômico e concorrência desleal no Brasil.

O presidente do FNCP, Edson Vismona, explica que a combinação de alto lucro e baixo risco amplia o interesse das organizações criminosas pelo mercado ilegal, que funciona como uma importante fonte de financiamento dessas redes.

Perdas por setores

O impacto se espalha por diferentes cadeias produtivas. Veja quais são os dez setores mais afetados e os respectivos valores:

• Vestuário: R$ 87,3 bilhões

• Bebidas alcoólicas: R$ 83,2 bilhões

• Combustíveis: R$ 29 bilhões

• Higiene pessoal: R$ 21 bilhões

• Perfumaria e Cosméticos: R$ 21 bilhões

• Defensivos agrícolas: R$ 20,6 bilhões

• Ouro: R$ 12,7 bilhões

• TV por assinatura: R$ 12,1 bilhões

• Óculos: R$ 11,4 bilhões

• Cigarros R$ 10,5 bilhões

O levantamento aponta que os efeitos vão muito além da concorrência desleal e do impacto na economia formal. Segundo o Fórum, a expansão da ilegalidade corrói a arrecadação tributária, limita a capacidade de investimento público em áreas essenciais e, principalmente, fortalece as estruturas do crime organizado.

"Estamos diante de um problema estrutural, que vai muito além dos efeitos econômicos. Trata-se de esquemas que alimentam o caixa das facções, sustentam estruturas armadas, viabilizam a expansão de suas operações e reforçam o controle territorial em diversas regiões do país", afirma Vismona.

A Alac (Aliança Latino-Americana Anti Contrabando), indica que o mercado ilegal representa 2% do PIB (Produto Interno Bruto) dos países da América Latina. No Brasil, a porcentagem sobe para 3,75%.

Cigarro ilegal: caixa registradora do crime

Um levantamento inédito do Instituto Ipsos Ipec mostra a posição estratégica do cigarro - item mais apreendido pela Receita Federal - no cenário da ilegalidade.

De acordo com a pesquisa, em 2025 as facções criminosas circularam cerca de 32 bilhões de unidades de cigarros ilegais no Brasil, movimentando R$10 bilhões para o crime organizado. Só em evasão fiscal foram R$ 8,5 bilhões.

Hoje, três em cada dez cigarros vendidos no país (31%) são ilegais, o que evidencia não apenas a dimensão econômica do problema, mas seu impacto direto sobre a arrecadação, a concorrência formal e a segurança pública. A terceira marca mais vendida do Brasil atualmente é uma marca contrabandeada do Paraguai, com 10% do mercado Brasileiro.

Dados da Receita Federal reforçam o avanço da ilegalidade: entre janeiro de 2026 e o mesmo mês de 2025, o valor das apreensões aumentou 22%. Apenas em janeiro deste ano, foram retidos R$ 61,5 milhões em maços ilegais em todo o país - um montante que evidencia não só a escala, mas também o grau de organização e sofisticação dessas operações.


cnnbrasil


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais lidas de Brasil veja mais
Últimas notícias de Brasil veja mais