O dólar registrou leve queda de 0,06% frente ao real, cotado a R$ 4,89, nesta segunda-feira (11/5). Como a variação foi pequena, na prática, o câmbio permaneceu estável. Com o resultado, a moeda americana manteve-se no menor patamar em relação à divisa brasileira desde janeiro de 2024 - há 28 meses, portanto.
Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 1,19%, aos 181.908,87 pontos. O desempenho reverteu a elevação de 0,49%, aos 184.108,29 pontos, obtida na sessão de sexta-feira (8/5).
O humor do mercado azedou com novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as negociações de paz com o Irã. O republicano afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio está "por um fio". Antes disso, ele havia recusado a mais recente proposta feita por Teerã, alegando que ela não previa concessões na área nuclear.
Com o retrocesso nas conversas entre os dois países (na semana passada, o clima era de entusiasmo com as negociações), o petróleo subiu no mercado mundial. O barril do tipo Brent, a referência internacional, avançou 2,88%, aos US$ 104,21. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza os preços nos Estados Unidos) registrou elevação de 2,78%, a US$ 98,07 por barril.
Bolsas no mundo
Apesar da alta da commodity - e da ampliação da incerteza sobre a guerra - a maioria das bolsas da Europa teve valorização, embora pequena. O índice europeu Stoxx 600 subiu apenas 0,11%. O FTSE 100, de Londres, avançou 0,36% e o DAX, de Frankfurt, teve leve ganho de 0,07%. O CAC 40, de Paris, porém, recuou 0,69%.
Altas modestas, indicando estabilidade, também marcaram o desempenho dos principais índices de Nova York. A valorização foi de 0,19%, no S&P 500; também de 0,19%, no Dow Jones; e de 0,10%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Análise
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, diz que o dólar operou próximo da estabilidade, num pregão de baixa liquidez e sem direção clara. "A moeda abriu acompanhando o fortalecimento global, em meio à cautela com o impasse nas negociações entre EUA e Irã e o petróleo ainda acima de US$ 100", afirma. "Esse cenário mantém preocupações inflacionárias no radar."
O analista acrescenta que, no campo geopolítico, o mercado permanece em compasso de espera por novos sinais com o encontro entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, previsto para esta semana em Pequim, entre quarta (13/5) e sexta-feira (15/5), além de possíveis avanços nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Ibovespa
Shahini observa que o Ibovespa operou em queda, deslocando-se parcialmente do movimento mais positivo das bolsas em Nova York, como resultado da menor exposição do investidor estrangeiro em ativos locais, diante do aumento das incertezas geopolíticas.
"Apesar da alta das ações da Vale, acompanhando a valorização do minério de ferro, e do suporte parcial vindo do petróleo para Petrobras, o fluxo externo mais fraco limitou o desempenho do Ibovespa, mantendo o mercado doméstico pressionado ao longo da sessão", diz o economista.
Para Leonardo Santana, da casa de análise Top Gain, a queda da Bolsa brasileira refletiu o cenário macroeconômico bastante pressionado, especialmente pelo ambiente internacional. "O principal fator segue sendo a instabilidade provocada pelos conflitos no Oriente Médio, que continua sem qualquer sinal concreto de solução", afirma. "O mercado até encerrou a semana passada com certo otimismo, diante de expectativas de possíveis acordos, mas bastou o início desta semana para esse alívio se dissipar."
Metrópolis