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Perito da PF em Vilhena é investigado por vazar dados do Caso Master

perito criminal federal João Cláudio Nabas é alvo da própria Polícia Federal por suspeita de vazar informações sigilosas à jornalista Malu Gaspar


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Um perito criminal federal lotado em Vilhena, no sul de Rondônia, está no centro de uma investigação sigilosa da própria Polícia Federal. João Cláudio Nabas, que atua na corporação há 20 anos, é suspeito de vazar informações e dados sigilosos sobre as investigações do chamado "Caso Master" à jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

O caso veio a público nesta terça-feira (19), com a deflagração da 7ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nabas foi afastado da corporação.

O que diz a suspeita

Segundo as investigações, Nabas teria sido responsável por repassar à jornalista os dados de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes — pertencente a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, também do STF.

O vazamento, se confirmado, envolve material sob sigilo judicial. A informação teria sido usada em reportagens que miraram o casal de ministros.

Em nota, o Supremo Tribunal Federal destacou:

"As medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte."

O STF acrescentou que as diligências têm natureza "específica e instrumental, voltada à preservação da investigação, à prevenção de eventual reiteração delitiva e à colheita de elementos probatórios ainda pendentes".

Quem é o perito investigado

João Cláudio Nabas, 51 anos (idade estimada), é perito criminal federal há duas décadas. Desde 2009, ele é chefe do **NUTEC/DPF/VLA/RO** — o Núcleo Técnico Científico da Polícia Federal em Vilhena.

Sua formação inclui:

- Engenharia Civil pela UDESC/SC

- Mestrado em Economia (Finanças) pela Universidade de Brasília (UnB), concluído em 2023

A dissertação de mestrado de Nabas, à qual a reportagem teve acesso, analisou fraudes financeiras em fundos de investimento abastecidos por Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) — exatamente o mesmo tipo de esquema investigado no Caso Master.

Ele também atua como palestrante na área de crimes no mercado de capitais e já ministrou cursos sobre fraudes em investimentos promovidos por setores da própria PF.

O perfil público nas redes

No período em que ainda mantinha atividade na rede social X (antigo Twitter), Nabas compartilhou publicações de figuras ligadas à operação Lava Jato e ao bolsonarismo, como:

- O senador Sergio Moro (União-PR)

- O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS)

Em agosto de 2021, compartilhou um post de Moro que defendia a prisão em segunda instância. Também apoiou publicamente a candidatura de Van Hattem à Presidência da Câmara.

Esses posicionamentos não são, por si só, ilícitos, mas ajudam a traçar o perfil ideológico do investigado — que se alinha à chamada "ala lavajatista" da Polícia Federal.


Revista Fórum


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