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Gleisi critica sistema dos EUA e diz que Bolsonaro 'nem sabia o que era Pix'

Ex-deputado sugeriu que Brasil poderia colocar o Pix em negociação com o governo Trump, após órgão dos EUA sugerir novo tarifaço de 25%


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Gil Ferreira/SRI-PR

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A deputada federal e ex-ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), rebateu, nesta quinta-feira (4/6), a declaração do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL), que sugeriu que o Brasil poderia colocar o Pix em negociação com os Estados Unidos e até mesmo substituí-lo pelo Zelle, sistema de transferências norte-americano que se assemelha ao brasileiro.

Gleisi classificou como "nojenta" a "disposição dos Bolsonaros de servir aos interesses americanos". "A mentira, a falta de caráter e a sabujice são métodos dessa gente traidora e imbecil, como bem classificou o presidente Lula", disse.

"O pix é uma infraestrutura pública brasileira, criada e regulada pelo Banco Central do Brasil. Nunca foi de Bolsonaro, que nem sabia do que se tratava quando foi perguntado sobre o assunto. E o Zelle é um sistema privado, operado por bancos americanos, que cobra taxas. É nojento ver a disposição dos Bolsonaros de servir os interesses americanos", afirmou a ex-ministra em publicação no X.

A parlamentar também comparou as atitudes entre os dois filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): "Enquanto o Flávio Bolsonaro tenta dizer que o pix é obra do seu pai, o Eduardo Bolsonaro quer trocar o nosso pix pelo sistema americano chamado Zelle, como ponto de negociação pra retirar a taxação americana, que eles ajudaram articular".

Nessa quarta-feira (3/6), em entrevista ao portal TMC News, Eduardo Bolsonaro afirmou ainda que o Brasil poderia utilizar até mesmo as terras raras e o manganês para serem negociados com os Estados Unidos. "Dá botar na mesa isso daí e tentar segurar um ímpeto de retaliação sobre qualquer meio de pagamento que a gente utiliza aqui", pontuou.

A declaração ocorreu depois que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) concluiu uma das investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 contra o Brasil.

No documento, o órgão sugere que produtos brasileiros importados pelos EUA sejam taxados em 25%. Entre as justificativas, acusam o Brasil de adotar políticas de pagamento eletrônico que "desfavorecem empresas americanas envolvidas no comércio digital ou em serviços de pagamento eletrônico".

O Zelle é uma plataforma de pagamentos norte-americana que se assemelha ao Pix, embora tenha menos funcionalidades e alcance limitado quando comparado com o sistema brasileiro. O Zelle, por exemplo, não é aceito por todos os bancos dos Estados Unidos e a compensação financeira leva minutos para ser concluída — no caso do Pix, ocorre instantaneamente.

Julgamento no STF

Gleisi também comentou sobre o julgamento de Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para 16 de junho. O ex-deputado é réu por supostamente tentar pressionar autoridades brasileiras a partir dos Estados Unidos, em meio ao processo que resultou na condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado.

"Dia 16 está marcado um primeiro julgamento de Eduardo Bolsonaro. Esperamos que os demais processos instaurados e pedidos contra eles sejam agilizados. Precisam ser contidos e punidos, para o bem do Brasil e do povo brasileiro", declarou a deputada.

O julgamento ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir a condenação do ex-deputado. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, Eduardo atuou de forma "continuada" para interferir no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.


Metrópoles


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