A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para cima a projeção da inflação em 2026. A variação do indicador passou de 4,5% para 5,1%, valor acima do teto da meta, que é de 4,5%. Os dados constam no Boletim Macrofiscal, divulgado pela SPE nesta quarta-feira (15/7).
A revisão reflete efeitos da alta nos preços de alimentos e dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, segundo informou a pasta
"Ainda que o IPCA de junho tenha desacelerado na margem, os alimentos foram o principal vetor de pressão no acumulado do ano e as medidas dessazonalizadas seguem acima do padrão histórico", diz o texto.
A SPE aponta também que ainda é cedo para afirmar que os preços dos combustíveis tenham se estabilizado, já que o cessar-fogo permanece frágil. Além disso, o possível aumento da demanda, para recomposição dos estoques, e os danos à infraestrutura no Oriente Médio podem ser vetores de alta para os preços do petróleo.
O preço dos combustíveis é um dos principais fatores de inflação no Brasil, já que grande parte dos produtos é transportado por rodovias.
"A revisão incorpora os efeitos de segunda ordem dos choques recentes de petróleo, derivados e commodities que, apesar da acomodação das cotações, podem demorar a se dissipar em um cenário ainda marcado por incertezas geopolíticas", complementou a SPE.
O relatório cita também a desancoragem das expectativas do mercado, medida pelo Boletim Focus, do Banco Central (BC). A SPE explicou que a persistência das expectativas em alta, somadas às altas observadas nos setores de serviços e bens industriais contribuiu para a revisão para cima da projeção de inflação.
Outro ponto citado no relatório é o aumento da probabilidade de um El Niño mais intenso, que pode afetar principalmente a safra de 2027, mas que deve pressionar a inflação de alimentos ainda em 2026.
"No caso dos alimentos, pressões altistas no segundo semestre estão associadas à maior probabilidade de ocorrência do El Niño e à persistência do choque de oferta e de preços dos fertilizantes, com efeitos já em 2026 e risco adicional para a safra de 2027", afirma o texto.
Já com relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a projeção para 2026 saiu de 4,6% para 5,3%.
"Nos meses de abril e maio, a surpresa em relação ao projetado na última grade esteve concentrada em alimentos, que ao longo do ano devem reverter a desinflação observada em 2025. Considerando a aceleração nos preços de alimentos e seu maior peso nesse índice, o INPC acumulado em 2026 deve ser superior ao IPCA em 0,2 pontos percentuais", disse o texto.
Projeções para 2027
A Fazenda também projeta inflação de 3,6% em 2027, ante expectativa de 3,5% no relatório anterior, dentro do teto da meta. Segundo a pasta, o movimento deve ser explicado pelos efeitos defasados da política monetária em patamar mais restritivo, atualmente a Selic está em 14,25%, e pela cotação do petróleo mais favorável.
O Macrofiscal é um relatório bimestral responsável por divulgar as projeções de curto e médio prazo para os indicadores de atividade econômica e de inflação, utilizados no processo orçamentário da União.
Cenário fiscal
Segundo a SPE, em 2026, contas da União seguem em trajetória de consolidação fiscal, sustentada por arrecadação robusta.
No acumulado de janeiro a maio de 2026, a receita líquida cresceu 4,8% em termos reais frente a igual período de 2025, refletindo a continuidade da recuperação da atividade, a formalização do emprego e a valorização do petróleo.
A pasta afirma também que a despesa total expandiu em termos reais, mas o avanço é majoritariamente explicado pela antecipação de despesas, com concentração de pagamentos judiciais em março de 2026.
"O pagamento de benefícios previdenciários cresceu 9,5% em termos reais entre janeiro e maio de 2026, explicado majoritariamente (59%) pela concentração do pagamento de precatórios e sentenças judiciais em março, ante julho em 2025, e pela intensificação das ações administrativas voltadas a reduzir o estoque de requerimentos do Regime Geral da Previdência Social".
Metrópoles