O vice-líder do governo no Congresso Nacional, deputado Lindbergh Farias (RJ), anunciou nessa sexta-feira (24/7) que pedirá à Polícia Federal (PF) a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do escritório de advocacia ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar fez o anúncio por meio de uma publicação na rede social X.
Segundo Lindbergh, será protocolada uma notícia de fato para que a PF investigue movimentações financeiras do escritório após o Metrópoles revelar, na coluna Tácio Lorran, que Flávio Bolsonaro emitiu R$ 1,5 milhão em notas para empresas usadas em esquema de Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O deputado levanta suspeitas de que o escritório teria sido utilizado para receber recursos sem exercer atividade jurídica efetiva.
Durante o vídeo, Lindbergh afirmou que o escritório funcionaria na residência onde Flávio Bolsonaro mora, em Brasília, e alegou que o local não teria funcionários, atendimento ao público ou estrutura compatível com a prestação de serviços advocatícios.
Notas fiscais ligadas a Flávio Bolsonaro
O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu e cancelou duas notas fiscais que somam R$ 1 milhão.
As notas foram emitidas em favor da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., apontada como empresa de fachada ligada ao ex-banqueiro, Daniel Vorcaro.
Cada nota tinha o valor de R$ 500 mil e foi emitida em 7 de abril de 2025.
Dois dias depois, o escritório emitiu uma terceira nota de R$ 500 mil para a Contábil Correa.
As notas canceladas indicavam a prestação de serviços de consultoria jurídica à Copenhagen.
A Copenhagen não possui sede própria nem site e está registrada no mesmo endereço da Contábil Correa, em São Caetano do Sul (SP).
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro depositou R$ 58 milhões na Copenhagen, incluindo R$ 11,2 milhões logo após a abertura da empresa.
O responsável por uma das empresas, Rogério Lourenço Novo, já havia sido investigado pela PF por suspeita de operar um esquema de emissão de notas fiscais frias entre 2013 e 2015, com prejuízo estimado em mais de R$ 100 milhões.
A Polícia Federal investiga a movimentação financeira envolvendo as empresas e o Banco Master.
O petista também disse que, desde 2021, o escritório teria emitido 41 notas fiscais. Entre elas, citou pagamentos que teriam sido feitos por empresas ligadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo uma transferência de R$ 500 mil atribuída à empresa Contábil Correia.
"Se ele não exercia atividade, se ele não tinha funcionários, se ele não atuava representando terceiros, o que ele fez desses R$ 500 mil? Era só para receber dinheiro? Era lavar dinheiro?", questionou Lindbergh na publicação.
Na mesma manifestação, o deputado também mencionou o contador Alexandre Caetano dos Reis, que teria atuado para o escritório de Flávio Bolsonaro.
Lindbergh afirmou que Alexandre foi investigado em operações da Polícia Federal relacionadas à lavagem de dinheiro e disse que ele é irmão de Letícia Caetano dos Reis, apontada como sócia administradora do escritório.
De acordo com o parlamentar, esses elementos justificam o pedido para que a PF aprofunde a investigação e analise a movimentação financeira da banca de advocacia.
Além da quebra dos sigilos do escritório, Lindbergh afirmou que pretende solicitar que Alexandre Caetano seja ouvido novamente pela Polícia Federal.
Metrópoles