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Crescimento forte, desafios reais: o novo momento de Rondônia

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Da periferia da Amazônia ao radar da economia nacional, Rondônia vive uma nova fase marcada por indicadores econômicos favoráveis. A conjunção de um agronegócio fortalecido, exportações robustas e baixo desemprego sugere um reequilíbrio produtivo. Mas, como qualquer crescimento, exige análise cuidadosa das oportunidades e dos desafios que vêm junto com os números.

Os dados recentes apontam que o estado deve alcançar em 2025 um dos melhores desempenhos nacionais em termos de crescimento do PIB — cerca de 5,3%. Esse movimento se apoia, sobretudo, no agronegócio: café, carne bovina, peixe e outras commodities ganham destaque nas exportações, contribuindo para elevar a renda e dinamizar o mercado interno. Ao mesmo tempo, o PIB per capita aparece acima da média da Região Norte, o que sugere algum avanço em termos de riqueza per habitante.

A melhora na taxa de emprego também é relevante. Com indicador de desocupação perto de 3,1%, Rondônia figura entre os estados com menor desemprego do país em 2025. Esse dado reforça que o crescimento não ocorre apenas nos relatórios, mas atinge a população — ainda que parcialmente — por meio de geração de trabalho e potencial de renda.

No entanto, crescimento econômico elevado não garante automaticamente melhoria social ampla ou distribuição de renda equitativa. expansão baseada em commodities e exportações deixa o estado vulnerável a flutuações de preços internacionais e a pressões de mercado externas. A dependência de alguns setores, como o agropecuário, pode tornar a economia menos resiliente a crises de demanda ou a choques climáticos e ambientais.

Há também o desafio de diversificar a economia para além da produção primária e das exportações. Indústria, serviços e agregação de valor local — por meio de processamento, logística e cadeias internas mais complexas — podem tornar o desenvolvimento mais sustentável. Investimentos em infraestrutura, educação, qualificação técnica e apoio à economia local devem acompanhar o crescimento para evitar que o progresso se concentre apenas em alguns grupos ou regiões.

O crescimento econômico também deve dialogar com bem-estar social e qualidade de vida. Renda crescente não basta se não vier acompanhada de acesso a serviços públicos básicos, saúde, educação, saneamento e segurança social. O verdadeiro teste para Rondônia será traduzir os bons números em melhor condição de vida para a maioria.

Os números oferecem otimismo plausível. Mas o futuro dependerá de como o desenvolvimento será gerido — se haverá equilíbrio entre produtividade, diversificação e justiça social. A economia pode crescer, mas cabe à sociedade e às autoridades definirem como esse crescimento se materializa no cotidiano das pessoas.

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