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O que a baixa taxa de desemprego em Rondônia realmente indica

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Os dados da PNAD Contínua do terceiro trimestre de 2025 revela um quadro distinto para Rondônia no contexto do mercado de trabalho brasileiro. O estado permanece com uma das menores taxas de desocupação do país, enquanto a taxa nacional recua para 5,6%, o menor nível desde o início da série histórica em 2012. Em meio a esse cenário, a principal questão é como interpretar números que, à primeira vista, sugerem um ambiente favorável para quem busca emprego.

A baixa taxa de desemprego é, por si só, um indicador relevante. Ela indica que a proporção de pessoas desocupadas, em relação à força de trabalho, é reduzida no estado. No entanto, a análise não se esgota nesse dado. Para avaliar de forma equilibrada a situação do mercado de trabalho, é necessário considerar a qualidade das ocupações, o nível de formalização, o rendimento médio e o peso da informalidade, especialmente em economias regionais onde o trabalho por conta própria tem forte presença.

Em Rondônia, estudos baseados na PNAD Contínua mostram participação elevada de trabalhadores por conta própria em comparação com a média nacional. Esse traço estrutural indica um mercado com forte presença de pequenos negócios, prestação de serviços e ocupações de baixa escala. Do ponto de vista da geração de renda, essa configuração pode garantir algum dinamismo mesmo em períodos de desaceleração, mas também expõe parte da população a maior vulnerabilidade, seja por ausência de proteção social, seja por oscilação de renda.

Outro elemento a ser ponderado é a composição setorial da ocupação no estado. Comércio e serviços têm peso destacado, ao lado de atividades ligadas à agropecuária e à indústria de transformação. Isso significa que o desempenho de Rondônia depende, em boa medida, da evolução do consumo interno, da demanda regional e das cadeias produtivas ligadas a esses setores. Em períodos de expansão, essa estrutura tende a sustentar altos níveis de ocupação; em momentos de retração, pode amplificar ajustes rápidos no emprego.

Rondônia, embora se destaque nos rankings de menor desemprego, está inserida nesse contexto mais amplo, em que a geração de oportunidades depende da combinação entre políticas públicas, investimento privado e capacidade de adaptação da mão de obra.

A interpretação equilibrada dos dados exige, portanto, evitar tanto o otimismo fácil quanto a leitura excessivamente pessimista. A baixa desocupação em Rondônia é um sinal de que o estado atravessa um período de maior absorção de trabalhadores, em linha com a tendência nacional de recuperação. Ao mesmo tempo, os números da PNAD Contínua indicam a necessidade de olhar além da taxa de desemprego, acompanhando indicadores de renda, informalidade, subocupação e participação na força de trabalho.

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