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A BR-364 e os constantes perigos além da cobrança de pedágio

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Roni Carvalho

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A realidade da BR-364, principal rodovia federal de Rondônia, expõe diariamente motoristas e caminhoneiros a um padrão de segurança aquém do esperado para uma via de grande circulação. Apesar de sua relevância logística, sobretudo no eixo entre Porto Velho e Vilhena, persistem relatos de buracos, pavimento irregular e pontos críticos no asfalto, fatores que elevam o risco de acidentes graves e fatais.

Nos últimos dias, colisões de grande proporção voltaram a evidenciar a vulnerabilidade da rodovia diante de falhas estruturais e da falta de manutenção adequada. Em um acidente recente, ao menos duas pessoas morreram após a colisão entre caminhão, carreta e veículo de passeio no trecho entre Estrela de Rondônia e Presidente Médici, situação que mobilizou equipes de resgate e provocou a interdição parcial da pista. Ocorrências semelhantes já haviam sido registradas anteriormente na mesma região, reforçando a repetição de episódios trágicos.

Outros acidentes também marcaram o ano passado. Em dezembro de 2025, uma colisão no quilômetro 151 resultou em pelo menos uma morte e congestionou a rodovia por horas até a liberação do tráfego. Em outubro, outro acidente entre Jaru e Ouro Preto do Oeste deixou três mortos e três feridos, exigindo a interdição parcial para atendimento das vítimas e remoção dos veículos.

Esses casos não são isolados. Eles revelam um padrão recorrente que vem sendo apontado por usuários e autoridades: embora ocupe posição estratégica na infraestrutura estadual, a BR-364 acumula um histórico preocupante de acidentes com vítimas fatais. Esse cenário fortalece críticas de diferentes setores, que identificam a insegurança viária como um dos principais desafios no contexto da concessão e da cobrança de pedágio.

O debate sobre a rodovia ultrapassa a discussão tarifária. Representantes do setor produtivo e parlamentares destacam que a ausência de duplicação, de terceiras faixas e de intervenções estruturais amplia os riscos, especialmente em trechos com tráfego intenso de caminhões e em períodos de chuva.

A falta de conservação adequada da pista — para além de ações pontuais — expõe motoristas a irregularidades que dificultam a condução segura, sobretudo à noite. Especialistas em engenharia de tráfego defendem que a manutenção deve antecipar soluções, reduzindo a probabilidade de acidentes, e não apenas reagir após tragédias.

Enquanto isso, familiares das vítimas e usuários frequentes cobram medidas concretas que priorizem a segurança. A expectativa por melhorias na pavimentação e pela correção de pontos críticos permanece no centro do debate público.

A segurança na BR-364 não pode ser tratada como questão secundária. Reduzir riscos exige planejamento, obras estruturais e manutenção contínua. A discussão precisa avançar além do pedágio e concentrar-se, sobretudo, na preservação de vidas.

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