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Pobreza cai em Rondônia, mas cidades encolhem segundo pesquisa do IBGE

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Dado do IBGE revelam quedas na pobreza em Rondônia, mas números isolados mascaram dinâmicas complexas. Incidência subjetiva chega a 31,54% no estado, com intervalo de 29,61% a 33,48%, enquanto Porto Velho registra 21,89% em indicador histórico do Censo 2010. Tais marcas colocam Rondônia à frente no Norte para famílias acima da linha da pobreza, com Gini de 0,46 - segunda menor desigualdade nacional. Avanços assim ancoram-se em emprego farto, taxa de 2,6% no desemprego, e aportes do PAC, R$ 6,66 bilhões até 2026 em logística e 75 projetos sociais.

Perspectiva otimista ganha força com retenção populacional. Mais de 70% dos 52 municípios encolhem desde 2010, fenômeno do Censo 2022 que economistas vinculam a menos êxodo. Menos gente alivia serviços públicos limitados: programas como Vencer e Meu Sonho distribuem capacitação e R$ 30 mil para moradia com maior alcance per capita. Rondônia salta ao 12º lugar nacional em sustentabilidade social no Ranking CLP 2025. Quem fica acessa saúde e educação sem filas eternas, ciclo que atrai de volta migrantes qualificados.

Contraponto surge inevitável. Declínio populacional absoluto - 39 cidades perderam habitantes, Ministro Andreazza despenca 37,8% - sinaliza fragilidades estruturais. Expansão agrícola pressiona pequenos produtores, eleva preços de terra e empurra famílias para Porto Velho ou Mato Grosso. Êxodo seletivo deixa idosos e vulneráveis para trás, tensiona fundos municipais proporcionais ao censo. Qualidade de vida melhora para remanescentes, mas esvazia economias locais, corta impostos e ameaça viabilidade de prefeituras. Crescimento vegetativo baixo reforça alerta: prosperidade não se distribui igual.

Equilíbrio exige cautela. PAC pavimenta BR-364 e creches, mas R$ 2,61 bilhões em rodovias beneficiam mais grandes players que famílias isoladas. Desemprego baixo esconde informalidade rural, onde 30% carecem de esgoto adequado no Norte. Redução de 8,6 milhões na pobreza nacional em 2024 chega morna a rincões rondonienses. Governo celebra 2025 como marco, com 2,3 mil vagas formais em março de 2026. Fato é que números brutos do IBGE, de 2022 a 2024, projetam legado frágil sem diversificação além do agro.

Debate público urge. Manter população demanda indústria leve, turismo sustentável e internet banda larga em áreas remotas. Sem isso, encolhimento vira envelhecimento irreversível. Rondônia testa modelo regional: menos pobres por filtro demográfico, não por inclusão ampla. Leitores merecem transparência - celebre ganhos, mas questione custos ocultos. Futuro depende de políticas que repovoem, não esvaziem, o interior.

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