O Carnaval ainda não acabou, mas mesmo no meio da festa, alguns foliões já estão sentindo os efeitos dos excessos no organismo. Mas isso não significa que a farra acabou ou que você precisa se render e sofrer com os efeitos do álcool no organismo. O médico Thiago Piccirillo traz uma série de dicas para ajudar o corpo a se recuperar mais rápido.
Quem já se excedeu e pretende descansar no resto da semana, o clínico geral da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo afirma que é necessário focar em auxiliar o corpo na desintoxicação e no repouso.
"Para reverter o desequilíbrio causado pelo álcool, a hidratação é importante para auxiliar os rins já que o álcool tem efeito diurético. Bebidas como água de coco, sucos e chás são boas opções nesse momento", comenta.
Além da hidratação por meio de líquidos, a alimentação surge como uma aliada da desintoxicação hepática. Apostar nos crucíferos, como o brócolis e a couve garante um extra de enzimas que atuam na desintoxicação. Os carboidratos complexos, como as raízes e grãos também ajudam, eles atuam estabilizando os níveis de açúcar no sangue.
"O sono é imprescindível porque é durante o sono que o cérebro limpa os subprodutos metabólicos acumulados durante o dia. Priorize pelo menos 8 horas de descanso nas primeiras noites após o feriado para combater a fadiga mental. Após o descanso, a retomada de atividades físicas leves estimula a circulação sem sobrecarregar o sistema cardiovascular que ainda está se recuperando", acrescenta Thiago.
Os impactos do álcool no organismo
Mesmo que os jovens estejam bebendo menos, como aponta uma pesquisa feita pela Ipsos-Ipec, a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), que mostra que em 2025 64% das pessoas entre 18 a 24 anos afirmam não consumir bebidas alcoólicas, o Carnaval é uma época marcada pelos excessos.
E o consumo compulsivo de álcool nessa época, inclusive o de pessoas que não costumam beber ao longo do ano, é responsável por uma série de problemas de saúde e desconfortos físicos. Thiago Piccirillo, clínico geral da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, explica que, por seu caráter tóxico e psicoativo, o álcool atua no organismo desencadeando reações em cadeia que afetam quase todos os órgãos.
"No sistema nervoso, a substância atua como um depressor central, prejudicando o julgamento e a coordenação motora no curto prazo, mas pode causar danos estruturais severos com o uso crônico, incluindo a perda de massa cinzenta e o encolhimento do cérebro", explica.
O médico acrescenta que a substância também afeta o sistema cardiovascular. O excesso de álcool eleva a pressão arterial e pode induzir arritmias agudas. "Esse estresse enfraquece o músculo cardíaco, dificultando o bombeamento de sangue e elevando o risco de infartos e cardiomiopatias", comenta.
O fígado é outro órgão que também sente intensamente os efeitos das bebidas. Ele é o responsável por processar 90% do álcool, um excesso de "trabalho" que pode levar ao acúmulo de gordura, evoluindo para hepatites e cirroses. "O álcool promove um enfraquecimento sistêmico, reduzindo a eficiência do sistema imunológico por até 24 horas após o consumo. Esse estado de vulnerabilidade torna o corpo um alvo fácil para infecções", ressalta Piccirillo.
Indo além, um estudo feito pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, ainda em fases iniciais, apontou ainda que o consumo de álcool pode afetar a massa cinzenta do cérebro. Quanto maior e mais frequente o consumo, maiores os impactos.
Thiago comenta que essas alterações podem ser ligadas ao surgimento de quadros de ansiedade, depressão e distúrbios do sono.
Ailim Cabral - Metrópoles