Amazônia

Rondônia lidera ranking de feminicídio na Amazônia Legal

Índices superiores à média nacional de feminicídios e violência sexual destacam quadro preocupante na região.


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Rondônia se destaca com a maior taxa, alcançando 11,1 mortes por 100 mil mulheres.

Foto: Reprodução

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A violência baseada no gênero na Amazônia Legal, especialmente em Rondônia, revela números alarmantes, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Crimes como feminicídios e violência sexual exibem índices consideravelmente superiores à média nacional, demonstrando um cenário crítico na região.

Os registros dos boletins de ocorrência das Polícias Civis indicam que a maioria dos crimes de gênero é mais frequente na Amazônia Legal do que em outras regiões do país.


Os dados mostram que a taxa de feminicídios na região alcançou 1,8 por cada 100 mil mulheres, 30,8% acima da média nacional de 1,4 por 100 mil. Destaca-se que as áreas classificadas como intermediárias e rurais demonstraram taxas ainda mais elevadas, indicando um padrão disseminado de violência de gênero na região.

Ao considerar todos os assassinatos de mulheres, incluindo homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, a situação se agrava. A taxa de mortes violentas intencionais de mulheres na Amazônia foi de 5,2 por 100 mil, 34% superior à média nacional de 3,9 por 100 mil. Esse cenário persiste tanto nas áreas urbanas, rurais e intermediárias das cidades da Amazônia Legal.

Entre os nove estados que compõem a região, Rondônia apresentou a maior taxa de feminicídio, atingindo 3,0 mortes por 100 mil mulheres no último ano. O Acre (2,7) e Mato Grosso (2,6) seguiram com altos índices. Entretanto, Roraima (0,9), Amazonas (1,1) e Pará (1,2) registraram taxas inferiores à média nacional. No entanto, essa informação pode ser enviesada devido à baixa notificação de feminicídios nesses estados.


Se considerarmos todos os homicídios de mulheres, Roraima, apesar de ter tido a menor taxa de feminicídios no ano passado, registra a segunda maior taxa de homicídios, indicando a possibilidade de feminicídios não classificados corretamente.

O estudo detalha a taxa de homicídios de mulheres nos estados da Amazônia Legal, evidenciando que em 8 dos 9 estados, a taxa de assassinatos de mulheres foi superior à média nacional. Rondônia se destaca com a maior taxa, alcançando 11,1 mortes por 100 mil mulheres.


Explicar os índices elevados de violência letal contra a mulher na região Amazônica, sobretudo em comparação com o restante do país, é um desafio. Uma hipótese aventada pela literatura refere-se ao processo colonizador peculiar vivenciado pela região, marcado pelo silenciamento e exploração da mulher, com uma visão utilitarista da Amazônia como mero provedor de recursos.

Na perspectiva histórica, o processo de ocupação da Amazônia era predominantemente masculino, relegando as mulheres caboclas e indígenas à marginalidade. A ascensão do ciclo da borracha trouxe uma população majoritariamente masculina para a região, retratando uma sociedade patriarcal e violenta. O processo migratório e o modelo econômico de exploração do território contribuíram para a objetificação da mulher, ampliando sua vulnerabilidade, especialmente para populações negras, indígenas e ribeirinhas.

Os desafios das regiões fronteiriças e a expansão do narcotráfico na região Amazônica introduziram novas dinâmicas às relações de gênero. No século XXI, as desigualdades de gênero persistem, refletindo uma lógica patriarcal e de subjugação feminina.

Outro dado alarmante apresentado éa taxa de estupro/estupro de vulnerável nas cidades que compõem a Amazônia Legal em comparação com o restante do país. Em todos os contextos da região, registraram-se taxas de violência sexual mais elevadas do que a média nacional. A taxa de estupros na Amazônia Legal foi de 49,4 vítimas para cada 100 mil pessoas em 2022, 33,8% acima da média nacional, evidenciando uma problemática persistente e preocupante.?

Natália Figueiredo - Diário da Amazônia

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