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Igarapé Água Branca: Resistência ambiental em meio à urbanização de Manaus

Apesar das ameaças da urbanização, o Igarapé Água Branca resiste como um dos últimos cursos d’água preservados da capital amazonense


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Igarapé Água Branca

ONG Mata Viva

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O Igarapé Água Branca, localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, é um dos últimos cursos d’água preservados na capital amazonense. Apesar das ameaças causadas pela urbanização, o igarapé mantém sua nascente e seu curso, tornando-se um símbolo de resistência ambiental.

Manaus, situada na Amazônia Central, é uma metrópole em expansão cercada pela maior floresta tropical do planeta. Segundo a Associação Comercial do Amazonas (Aca), a cidade possui cerca de mil igarapés, que formam uma das maiores densidades hídricas do mundo. No entanto, a abundância de recursos naturais contrasta com os desafios ambientais gerados pela alta demanda por infraestrutura e serviços urbanos, apontam especialistas.

Bacias urbanas e pressões ambientais

De acordo com a Aca (2023), Manaus está dividida em quatro bacias urbanas: Educandos, São Raimundo, Puraquequara e Tarumã. O Igarapé Água Branca, que nasce nas matas protegidas do Aeroporto Eduardo Gomes e percorre mais de 7 km até a Cachoeira Alta, no Tarumã, é uma das poucas nascentes ainda preservadas. Ele integra a lista de Áreas de Preservação Permanente (APPs), conforme o Novo Código Florestal Brasileiro (Lei n.º 12.651/12), que visa proteger recursos hídricos, biodiversidade e o bem-estar das populações no entorno.

Apesar da proteção legal, o igarapé enfrenta ameaças como desmatamento e assoreamento, agravados pelo lançamento de barro em seu leito, supostamente por empresas locais. Jó Fernandes Farah, presidente da ONG Mata Viva e um dos responsáveis pela preservação do Água Branca, alerta para os riscos.

"Se continuar descendo essa quantidade de barro, especialmente com a chegada do período de chuvas, o igarapé vai ficar completamente assoreado", afirma Farah, que há mais de 20 anos cuida do terreno por onde o rio deságua. Ele também denuncia o desmatamento próximo à nascente, que contribui para a poluição do curso d’água.

Programas de proteção e monitoramento

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) desenvolve programas para proteger os recursos hídricos da região. Um deles é o Sistema Integrado de Inteligência, Proteção e Monitoramento da Bacia Hidrográfica do Gigante, que abrange áreas próximas ao Água Branca, na bacia do Tarumã-Açu. O órgão também fiscaliza estações de tratamento de efluentes, garantindo que a água tratada lançada ao meio ambiente atenda aos padrões de qualidade.

Uma parceria entre o Ipaam e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), liderada pelo professor Sérgio Duvoisin Junior, monitora a qualidade da água na região. O grupo realiza análises físico-químicas para avaliar os impactos da urbanização. Desde 2023, a Águas de Manaus coleta amostras mensais em três pontos do igarapé, permitindo um acompanhamento detalhado.

A expansão de Manaus, impulsionada pelo crescimento populacional, trouxe desafios ambientais. Com uma densidade demográfica de 191,44 hab./km² e população estimada em 2,18 milhões (2019), a cidade enfrenta pressões como desmatamento, ocupação irregular de áreas de preservação e lançamento de esgoto e resíduos nos igarapés.

O Água Branca representa um alerta para a necessidade de equilibrar desenvolvimento urbano e preservação ambiental. Enquanto a cidade avança, a luta para salvar o igarapé e outros cursos d’água deve ser prioridade, evitando perdas irreparáveis para o meio ambiente e as futuras gerações.

Carol Veras - Portal SGC


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