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Exportação de carne bovina à China pode cair até 35%, alerta setor

Bellincanta alerta para "guilhotina comercial" da China contra carne bovina


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A decisão da China de estabelecer uma cota anual para a importação de carne bovina promete alterar profundamente a dinâmica do comércio global. A partir de 1º de janeiro de 2026, volumes que ultrapassarem esse limite estarão sujeitos a uma tarifa extra de 55%, válida por três anos. A medida visa proteger a produção doméstica chinesa, mas representa um forte desafio para os principais exportadores, especialmente o Brasil.

Segundo Paulo Bellincanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), a maior preocupação do setor está na forma de contabilização da cota. Em artigo, ele aponta que as autoridades chinesas pretendem desconsiderar contratos anteriores, cargas já embarcadas e produtos em trânsito. Isso obrigaria o Brasil a descontar da cota cerca de 350 mil toneladas já comprometidas.

Com esse cenário, o país teria aproximadamente 750 mil toneladas disponíveis para exportar à China em 2026 — bem abaixo da média atual, que supera 160 mil toneladas mensais. "Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço disponível para novas produções ao longo de 2026", afirma Bellincanta.

A estimativa de redução, que gira em torno de 35%, segundo dados da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), levanta um sinal de alerta em toda a cadeia da carne bovina. A discrepância entre os volumes disponíveis e o consumo chinês exigirá, nas palavras do autor, "um entendimento equilibrado, construído de governo para governo".

Bellincanta ressalta que a pecuária brasileira avançou nos últimos anos com investimentos em genética, manejo e eficiência, enquanto a indústria frigorífica modernizou plantas e ampliou sua capacidade para atender ao mercado chinês. "Uma mudança abrupta dessa magnitude obriga toda a cadeia a revisar expectativas, projeções e investimentos", pontua.

Ele reconhece o esforço do governo brasileiro na abertura de novos mercados, liderado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Contudo, adverte que os destinos alternativos ainda não têm a mesma capacidade de absorção da China e já possuem fornecedores consolidados, o que torna o reposicionamento mais lento e estratégico.

A urgência, portanto, está no campo diplomático. Sem uma solução que considere os contratos e fluxos já estabelecidos, o impacto sobre o setor virá de forma rápida e profunda. "A eventual redução de volumes incide sobre o setor como uma guilhotina afiada", alerta o presidente do Sindifrigo-MT.

Para Bellincanta, o setor brasileiro precisará, mais uma vez, adaptar-se e buscar novas formas de atuação diante de um cenário incerto. Os excedentes são grandes demais para serem redirecionados com rapidez, e a única saída realista passa pela negociação internacional e pelo fortalecimento de mercados alternativos. A carne bovina brasileira enfrenta agora não um fim de ciclo, mas um momento de reinvenção.

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