Segundo um levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), a inflação sobre combustíveis de aviação impacta a cadeia de produção de alimentos na economia brasileira com altas sobre a gasolina e o querosene de aviação. Também atrapalha a operação aeroagrícola no Brasil, concentrada no Centro-Oeste e sensível às volatilidades geopolíticas.
Em abril, os combustíveis mais críticos da operação aérea apresentaram os maiores aumentos da comparação com março. Segundo a pesquisa, a inflação de combustíveis na aviação agrícola chegou a 67,3% para a gasolina; 51,6% para o querosene, 7,7% para o diesel e 6,9% para o etanol.
A gasolina de aviação corresponde a 51% da frota aeroagrícola tripulada, o querosene representa 30% da frota, enquanto o etanol consolida 19% da aviação em território nacional.
Claudio Junior Oliveira, economista e diretor operacional do Sindag, destacou o movimento atípico dos preços. "A inflação da aviação agrícola não está dentro da normalidade. Pelas pesquisas realizadas pelo setor, já se observa um impacto médio de cerca de 25% nos custos operacionais relacionados aos combustíveis, o que está muito acima de um ambiente considerado estável", disse à CNN Brasil.
O economista destaca que esse movimento é reforçado pela recente variação do índice após um período de deflação de 1,5% no mês anterior, junto a ocorrência de uma reversão para a alta de 6,75%.
Oliveira destaca a evidente volatilidade e a rápida mudança no cenário de custos enfrentado pelas empresas. "Esse aumento está diretamente ligado ao cenário internacional, com destaque para a alta próxima de 58% no óleo de aquecimento (heating oil) e a instabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, o que amplia a incerteza e dificulta o planejamento do setor", destacou.
Com um preço médio atual de R$ 13,99, a gasolina de aviação obteve aumento mais elevado entre os combustíveis analisados, o que causou pressão direta sobre operações com aeronaves em um aumento médio de 67,3%. O querosene apresenta preço médio de R$ 8,46, com aumento médio de 51,6%, o combustível abastece cerca de 30% das aeronaves com motores turboélice.
O etanol apresentou a maior estabilidade relativa no período a um preço médio de R$ 4,31, uma alternativa mais previsível dentro das operações. O aumento médio do biocombustível foi de apenas 6,9%.
A pesquisa indica um impacto entre 14% e 40% dos custos sobre a produção, com média aproximada de 25% nos custos operacionais relacionados a combustíveis das empresas aeroagrícolas a depender da frota e região.
A pesquisa reuniu 30 empresas de aviação agrícola distribuídas em diferentes regiões do Brasil com predominância das regiões sudeste e centro-oeste, que concentram grande parte da produção agrícola e da operação aeroagrícola no Brasil.
De acordo com o Sindag, cerca de 83% da produção agrícola está concentrada em apenas oito estados, onde também se encontra 87% da frota aeroagrícola, percentual que evidencia a alta sensibilidade do sistema produtivo ao aumento de custos do setor
O movimento de inflação sobre o combustível pode afetar diretamente o preço dos alimentos e, por consequência, a própria balança comercial brasileira, uma vez que a aviação agrícola atende os principais polos produtivos do país
Segundo o Sindag, o setor tem potencial para atender mais de 100 milhões de hectares no Brasil e opera a segunda maior frota do mundo em aviões e helicópteros agrícolas. A organização reforça que o diesel também faz parte dessa equação, já que é utilizado na logística terrestre, com caminhões responsáveis por levar combustível, insumos e equipamentos até as áreas de operação no campo.
Alternativa sustentável
A Acelen Renováveis, subsidiária do fundo árabe Mubadala Capital, acaba de fechar uma parceria com a europeia Finboot para escalar a rastreabilidade da macaúba, matéria-prima estratégica da companhia na produção de biocombustíveis no Brasil. O projeto começa com o monitoramento dos 500 plantados podendo chegar 1,5 mil hectares plantados no Recôncavo Baiano.
A parceria tem a ambição de produzir 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO) a partir do óleo de macaúba, monitorando o ciclo de vida da cadeia de produção.
A cadeia agrícola da macaúba no Brasil ainda está em fase de estruturação, mas avança rapidamente como uma nova fronteira dos biocombustíveis. Trata-se de uma palmeira nativa, adaptada a diferentes biomas, especialmente Cerrado e áreas de transição, com alta produtividade de óleo por hectare, de sete a dez vezes mais que o óleo de soja, além da capacidade de desenvolvimento vegetativo em terras degradadas, sem competir diretamente com culturas alimentares.
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