A inflação de abril encerrou em 0,67%, maior alta para o quarto mês do ano desde 2022. O motivo principal foi o preço dos alimentos e bebidas, que respondeu por 0,29 ponto percentual (p.p). A alimentação no domicílio subiu 1,64% no mês, puxada principalmente pela disparada da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%).
O avanço reforça o impacto de fatores climáticos, custos de produção e logística sobre o bolso do consumidor, segundo os resultados do IPCA divulgados na manhã desta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. De um lado, os dados gerais evidenciaram uma desaceleração da inflação oficial brasileira em relação à março, quando o índice ficou em 0,88%. Entretanto, acumula alta de 2,60%, no primeiro quadrimestre, chegando a 4,39% nos últimos 12 meses.
No caso específico de alimentos e bebidas, a dinâmica de aumento do preço dos alimentos também desacelerou em comparação ao mês de março, quando o grupo havia registrado alta de 1,56%.
Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, parte da pressão inflacionária está ligada à menor oferta de alguns produtos agrícolas. "Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete", explicou em nota.
Na alimentação fora do domicílio, os preços avançaram 0,59% em abril. O lanche desacelerou de 0,89% em março para 0,71%, enquanto a refeição passou de 0,49% para 0,54% no período. Entre os produtos que registraram queda, destacaram-se o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%).
De acordo com Gonçalves, o comportamento dos preços neste ano ainda carrega reflexos de altas anteriores. "Em 2025 ainda havia o efeito das altas do café e do tomate. Já desde julho de 2025 o café vem registrando queda nos resultados mensais", afirmou.
Além dos alimentos, o subitem com maior impacto individual foi a gasolina, que desacelerou de 4,59%, em março, para 1,86%, em abril, e representou 0,10 pp do indicador, absorvendo os impactos decorrentes da guerra no Oriente Médio, como a alta do preço do petróleo e a logística para sua distribuição.
Confira os itens com alta e queda de preço:
🥕 Cenoura: +26,63%
🥛 Leite longa vida: +13,66%
🧅 Cebola: +11,76%
🍅 Tomate: +6,13%
🥩 Carnes: +1,59%
☕ Café moído: -2,30%
🍗 Frango em pedaços: -2,14%
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