Estimativas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês), considerado um dos mais precisos e confiáveis do planeta, apontam que há chances do próximo El Niño ser o mais forte já registrado. O alerta foi divulgado no início de junho.
Segundo as previsões do ECMWF, as temperaturas da superfície do mar de uma região importante do Oceano Pacífico Equatorial podem subir de 3 a 4ºC acima da média até dezembro deste ano. Se a hipótese se confirmar, a probabilidade de o El Niño de 2026 ser significativamente mais forte do que em anos recordistas, como 1997-1998 e 2015-2016, é considerável.
Ainda de acordo com a atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), há 80% de chances do fenômeno se formar antes de setembro e 90% antes de novembro. Além disso, a instituição faz o mesmo alerta do ECMWF: o evento tem potencial para ser forte.
"A ciência é clara: o El Niño chegará à nossa porta nos próximos meses com 90% de certeza. O mundo deve tratá-lo como o alerta climático urgente que é. As condições do El Niño vão alimentar ainda mais o aquecimento global", ressaltou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em declaração divulgada em 2 de junho.
Possíveis efeitos do El Niño
O El Niño ocorre a cada dois ou sete anos e quando acontece o fenômeno eleva a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial. Como consequência, ele pode enfraquecer ou inverter a orientação dos ventos alísios, circulações atmosféricas globais cruciais, e atrapalhar os padrões climáticos globais e de precipitação.
O último fenômeno, iniciado em junho de 2023 e estendido até 2024, foi o mais quente já registrado e causou impactos negativos na agricultura global. O próximo El Niño pode gerar um período de insegurança alimentar impulsionada pelas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que preocupa ainda mais os especialistas
"Os impactos serão ainda mais severos, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com uma velocidade devastadora. A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise — acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e fornecer sistemas de alerta precoce para todos", defendeu Guterres.
Metrópoles