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Ao menos três pessoas morreram após uma tentativa de invasão de uma mina de ouro na província de Pataz, no norte do Peru, na noite de quarta-feira (31), véspera do Ano Novo. A região está militarizada desde 2024 e vive sob estado de emergência por causa da escalada da violência associada à chamada febre do ouro.
Em comunicado divulgado na quinta-feira (1º) , a promotoria de Pataz informou que abriu uma investigação preliminar por homicídio após a localização de três corpos com marcas de disparos de arma de fogo na entrada da mina Papagayo. Segundo o órgão, a polícia encontrou 11 cartuchos de bala no local.
Pataz fica a cerca de 900 quilômetros de Lima e é considerada o epicentro da violência ligada à extração de ouro no país. Desde fevereiro de 2024, a província está sob medidas excepcionais de segurança. Em maio de 2025, 13 trabalhadores de uma grande empresa de mineração foram sequestrados e mortos em uma mina da região.
O prefeito de Pataz, Aldo Mariño, afirmou ao canal de televisão N que a polícia confirmou inicialmente a existência de três mortos. "Segundo a informação recebida do capitão da Polícia do Peru, ontem, aproximadamente às 11h da noite, tinham na delegacia três pessoas assassinadas", disse. Mariño também relatou que sete pessoas teriam sido dadas como desaparecidas.
A Polícia Nacional do Peru não confirmou oficialmente os desaparecimentos, e veículos da imprensa local informaram que as pessoas inicialmente consideradas desaparecidas já foram localizadas.
De acordo com o site Peru21, o confronto ocorreu pouco antes da meia-noite, quando um grupo tentou invadir a área de extração de ouro e foi contido por seguranças privados no acesso à jazida.
Com cerca de 88 mil habitantes, Pataz concentra conflitos relacionados à valorização do ouro nos mercados internacionais. O Peru é o décimo maior produtor mundial do metal e o segundo da América Latina, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos.
No país, a atividade mineral se divide entre mineração formal, amparada pela legislação, mineração informal em processo de regularização e mineração ilegal, que se concentra sobretudo na exploração de ouro e está associada à violência e à degradação ambiental, especialmente na região amazônica.
d24am