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Após mais de 50 anos de extinção, ave dá à luz filhotes em zoológico

Em um zoológico europeu, a ave, da espécie pomba-de-socorro, deu à luz oito filhotes. O animal desapareceu da natureza por influência humana


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Depois de passar mais de 50 anos declarada como extinta, uma ave virou símbolo de esperança para ciência. Em um zoológico europeu, ela deu à luz oito filhotes, o que trouxe à tona a possibilidade de reversão de um dos maiores colapsos da conservação moderna.

Atualmente, a espécie sobrevive exclusivamente por cuidados humanos, com cerca de 200 indivíduos vivendo em zoológicos e centros de conservação na Europa e na América do Norte. Esses animais representam a única barreira entre a sobrevivência e a extinção definitiva na natureza.

Processo de desaparecimento e sobrevivência

Nativa da Ilha de Socorro, território mexicano no Pacífico, a ave pomba-de-socorro não desapareceu por influências naturais. Com a introdução de espécies invasoras durante o século 20, a ilha sofreu um desequilíbrio ecológico, o que levou ao desaparecimento da fauna local.

No caso das aves, indivíduos adultos e ovos foram predados por gatos domésticos levados pelos humanos. A vegetação nativa, fonte de alimentação e nidificação, também foi destruída por ovelhas. Por conta disso, a espécie passou por uma queda na população, até que, em 1970, foi oficialmente declarada extinta da natureza.

Apenas pelo fato de alguns grupos terem sido mantidos em cativeiros, o animal não desapareceu totalmente. Isso é conhecido como população de segurança, uma dinâmica que funciona como um banco genético vivo e ajuda a preservar espécies fora de seu habitat natural, enquanto pesquisadores e conservacionistas buscam soluções.

Oito luzes no fim do túnel

Na luta pela sobrevivência, o nascimento dos oitos filhotes representou a importância do esforço dos profissionais. Além de comprovar que a ave consegue viver em cativeiro, também demonstra sua capacidade reprodutiva — o que aumenta a base genética, fortalece as populações e reduz a dependência de poucos indivíduos.

O programa de reprodução funciona com a parceria entre zoológicos de diferentes países. A partir de análises genéticas, os casais são escolhidos para evitar cruzamento entre parentes e risco de problemas hereditários.

Simulando condições da Ilha de Socorro, os recintos contam com controle rigoroso de alimentação, espaços para voos, áreas para nidificação e acompanhamento constante de biólogos e veterinários.

Mesmo com esse avanço, ainda existe uma batalha para reintrodução do animal na natureza. Em processo de recuperação do ecossistema, nos últimos anos, a ilha passou por erradicação de invasores. Ainda assim, é necessário recuperar a vegetação e eliminar todos os predadores para garantir um ambiente seguro em todos os âmbitos.


Julia de Mesquita - Metrópoles

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