A Polícia Financeira da Itália informou nesta quinta-feira (28/5) que apreendeu empresas e bens avaliados em 200 milhões de euros (cerca de R$ 1,1 bilhão), ligados à máfia italiana siciliana "Cosa Nostra", em uma operação internacional que envolveu autoridades de nove países.
Segundo autoridades italianas, a operação desmascarou um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas que funciona desde os anos 80, ligado ao falecido chefe mafioso Matteo Messina Denaro (foto em destaque) , que comandava a Cosa Nostra da região de Trapani.
Após 30 anos foragido, Denaro foi preso em janeiro de 2023, e morreu em setembro do mesmo ano. Ele é considerado o último "poderoso chefão" da máfia italiana. Apelidado de "U Sicco" (o magrelo), Denaro é acusado de ter comandando o assassinato de dois promotores que participavam de uma investigação contra a máfia nos anos 90.
Operação internacional
A operação ocorreu na Itália, Andorra, Gibraltar, Ilhas Cayman, Luxemburgo, Suíça, Líbano, Principado de Mônaco e Espanha. O dinheiro proveniente das atividades mafiosas foi reinvestido em diversos negócios legais em todos estes países, segundo a investigação italiana.
"Acreditamos ter identificado uma parte significativa dos investimentos feitos pela máfia, inclusive no exterior", disse o procurador-chefe de Palermo, Maurizio de Lucia.
As investigações surgiram de uma denúncia das autoridades de Andorra, sobre uma mulher italiana de Trapani com recursos financeiros que chamaram atenção do estado.
Foi descoberto que a mulher em questão já havia sido casada com um traficante de drogas de alto escalão que trabalhava em conjunto com a máfia siciliana.
"Nesse sentido, os depoimentos de diversos colaboradores da justiça se mostraram cruciais durante a investigação. Eles esclareceram como parte do fluxo de dinheiro relacionado ao narcotráfico era sistematicamente destinada às necessidades do distrito de Castelvetrano e de seu líder, Matteo Messina Denaro", disse a polícia italiana, em comunicado.
Metrópoles