O Monte Everest voltou a enfrentar problemas relacionados à superlotação após registrar um número recorde de alpinistas chegando ao topo em um único dia. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram longas filas de montanhistas avançando em direção ao cume da montanha mais alta do mundo, reacendendo debates sobre segurança e impactos ambientais na região.
Os vídeos registram centenas de pessoas aguardando para atravessar o chamado Degrau de Hillary, uma formação rochosa de aproximadamente 12 metros de altura localizada a cerca de 8.790 metros de altitude. Segundo informações do Daily Mail, o trecho fica na chamada "Zona da Morte", onde a quantidade de oxigênio disponível é insuficiente para a sobrevivência humana por longos períodos e representa um dos desafios mais difíceis da escalada.
Relatos publicados por alpinistas vistos pelo jornal britânico apontam que alguns grupos chegaram a enfrentar até três horas de espera para ultrapassar o local devido ao grande fluxo de pessoas e às condições extremas da montanha.
De acordo com a Associação de Operadores de Expedições do Nepal, 274 escaladores alcançaram o cume do Everest em um único dia pelo lado sul da montanha, estabelecendo um novo recorde. A marca supera o recorde anterior de 223 registrado em maio de 2019.
O aumento do número de visitantes ocorre em meio a críticas recorrentes sobre a política do Nepal de conceder diversas permissões para escalada. Especialistas consultados pelo Daily Mail alertam que os a presença de várias pessoas próximas ao cume podem aumentar significativamente os riscos para os alpinistas, especialmente em áreas onde os níveis de oxigênio são extremamente baixos.
Quase 500 alpinistas receberam autorização para tentar alcançar o topo do Everest em 2026. Desde setembro de 2025, a licença para escalar a montanha passou a custar US$ 15 mil (R$ 75 mil), valor superior aos US$ 11 mil (R$ 55 mil) cobrados anteriormente, no primeiro reajuste em quase uma década.
Apesar das preocupações, operadores de expedições afirmam que os riscos podem ser controlados. O austríaco Lukas Furtenbach, da empresa Furtenbach Adventures, declarou à agência Reuters que equipes bem preparadas e com suprimento adequado de oxigênio conseguem lidar com os atrasos provocados pelas filas.
Além dos desafios de segurança, o recorde de visitantes também trouxe novamente à tona a questão ambiental. Imagens recentes mostram o Acampamento 4, considerado o mais alto do planeta, coberto por barracas abandonadas, cilindros de oxigênio vazios, embalagens de alimentos e outros resíduos deixados por expedições.
Localizado no Colo Sul, entre o Everest e o Lhotse, o acampamento é o último ponto de parada antes da tentativa de alcançar o topo. Nas redes sociais, perfis especializados em montanhismo criticaram a situação, afirmando que um dos lugares mais extraordinários do planeta tem se transformado em símbolo dos efeitos da exploração comercial excessiva da montanha.
As operações de limpeza enfrentam grandes dificuldades devido às condições extremas de altitude, temperaturas severas e mudanças repentinas no clima. Mesmo assim, em 2024, uma equipe formada por soldados nepaleses e sherpas conseguiu retirar 11 toneladas de lixo da montanha e recuperar quatro corpos de alpinistas.
D24am