Nesta segunda-feira (8/6), a fundação Healthy Seas divulgou o que pode ser o primeiro registro de um tubarão-branco adulto em seu habitat natural no Mar Mediterrâneo, na região entre Sicília e Tunísia. As imagens foram feitas por Derk Remmers, mergulhador técnico que participava de uma operação de retirada de redes de pesca abandonadas.
Saiba mais sobre o episódio
Embora comuns na superfície, esses tubarões ainda não tinham sido avistados em encontros com mergulhadores. A ação foi realizada em parceria com a Ghost Diving, organização composta por profissionais voluntários que retiram objetos do fundo do mar. A entidade de pesquisa Society for Documentation of Submerged Sites (SDSS) também colaborou na expedição.
Segundo os grupos, as redes de pesca causam a captura e morte de diversos animais marinhos que habitam a região. Em outros mergulhos, tartarugas-cabeçudas — que são ameaçadas — e grandes espécies de peixe já haviam sido vistos presos aos equipamentos.
Desta vez, o tubarão foi visto livre em uma profundidade de 40 metros.
"Estatisticamente, é muito mais provável ganhar na loteria do que encontrar um animal tão icônico debaixo d’água. Você passa décadas mergulhando em naufrágios e removendo redes fantasmas, mas nada te prepara para um momento como este", comentou Remmers sobre a surpresa da experiência.
Mesmo surpresos, os profissionais continuaram o trabalho. "Foi insano, mas mesmo assim prosseguimos com nosso plano de mergulho para remover as redes do naufrágio, pois este momento mostrou claramente a importância do nosso trabalho", acrescentou.
Algo maior por trás
A missão também tinha o objetivo de coletar DNA ambiental (eDNA) e atividades de monitoramento da biodiversidade. A partir das análises, a pesquisa poderá gerar novas informações sobre as espécies locais. No caso dos tubarões-brancos, por exemplo, metade das informações é fruto de indivíduos mortos capturados em pesqueiras.
"Observações como esta são extremamente valiosas para melhorar a nossa compreensão da distribuição, hábitos e comportamento desta espécie criticamente ameaçada, cuja sobrevivência está em risco devido às atividades humanas", disse Carlo Cattano, especialista do Centro Marinho da Sicília da Estação Zoológica Anton Dohrn.
Para Veronika Mikos, diretora do Healthy Seas, o encontro tem um simbolismo muito maior do que se imagina.
"O que torna este encontro tão impactante não é apenas o animal em si, mas o contexto. Estávamos lá para remover redes que aprisionavam a vida marinha em um ecossistema de naufrágio. Momentos como este nos lembram quanta vida ainda pode existir nas águas costeiras do Mediterrâneo e como é importante protegê-la de ameaças evitáveis", concluiu.
Metrópoles