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Dólar sobe e Bolsa cai mesmo com barril de petróleo abaixo de US$ 80

Para analistas, com eventual acordo EUA-Irã, investidor voltou-se para questões internas, como a fiscal. Moeda americana foi a R$ 5,08


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Getty Imagens

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O dólar registrou alta de 0,39% sobre o real, cotado a R$ 5,08, nesta terça-feira (16/9). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), por sua vez, fechou em queda 0,45%, aos 169,6 mil pontos.

No Brasil, o câmbio e as ações movimentaram-se, em grande medida, na contramão dos mercados globais.

No ambiente externo, prevaleceu a perspectiva positiva de um acordo iminente entre os Estados Unidos e o Irã, o que atenuou os temores de uma pressão inflacionária mais intensa. 

Corroborando tal expectativa, autoridades americanas confirmaram a assinatura eletrônica de um memorando de entendimento com Teerã. A previsão é de que o documento seja formalizado na sexta-feira (19/6), em Genebra, na Suíça.

Abertura de Ormuz

O acordo prevê uma trégua inicial de 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo. Mais complexa, a discussão sobre o programa nuclear iraniano foi adiada para uma segunda fase das negociações.

Queda do petróleo

Com base nessas diretrizes, que ainda precisam ser confirmadas, o preço do petróleo caiu, voltando a um patamar inferior aos US$ 80 por barril. Antes do conflito, essa cotação estava em cerca de US$ 70. Com a deflagração da guerra, chegou a US$ 120.

Nesta terça-feira, o barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, fechou em queda de 4,68%, a US$ 79,98. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 5,37%, a US$ 76,41.

Bolsas europeias

Nesse contexto, as bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta. Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,61% e, em Frankfurt, o DAX manteve-se estável, mas no campo positivo com 0,08%. Em Paris, o CAC 40 valorizou 0,75%. Já o índice europeu Stoxx 600 avançou 0,26%, batendo uma nova máxima histórica.

Em Wall Street, às 16h10, os resultados parciais ainda eram mistos. O Dow Jones subia 0,64%, quebrando mais um recorde, aos 52 mil pontos. Já o S&P 500 e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, caíam, respectivamente, 0,42% e 0,86%

Dólar no mundo

No mundo, às 16h45, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), apontava um recuo de 0,11%, aos 99,56 pontos.

No mesmo horário, dólar também caía 1,27% frente ao peso colombiano e permanecia estável, com recuo de apenas 0,02%, na comparação com o peso mexicano.

Varejo no Brasil

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação de dados sobre o desempenho do comércio, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira. Os números mostraram que o setor recuou 1,5% na passagem de março para abril, impactado pela queda nas vendas de combustíveis.

O resultado interrompeu uma sequência de três meses de alta e representou o pior desempenho do segmento desde junho de 2022 (quando a queda foi de 2,8%). O desempenho também foi inferior às expectativas dos agentes econômicos, que previam um recuo de 0,7%.

Análises

Na avaliação de João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa Investimentos, como o Brasil é um país exportador de petróleo, a queda do preço internacional da commodity não favoreceu o mercado local.

O analista observa que, com o menor impacto do noticiário da guerra no Oriente Médio, o mercado volta sua atenção para questões internas do Brasil como o problema fiscal (a relação entre receitas e despesas do governo). "Todo esse cenário acaba contribuindo com a alta do dólar", diz Saccardo.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, tem opinião parecida. "Depois de uma reação inicial positiva ao acordo provisório entre EUA e Irã e à reabertura parcial do Estreito de Ormuz, o foco do mercado migrou para fatores domésticos", afirma.

"A queda do petróleo para níveis abaixo de US$ 80 por barril contribui para o movimento ao enfraquecer os termos de troca da economia brasileira e reduzir o suporte ao câmbio vindo pelo canal das commodities, principalmente do petróleo", acrescenta Shahini. "Por fim, o fato de o dólar estar sendo negociado em patamares de consolidação, sem tendência definida no curto prazo, também deu suporte ao movimento de valorização da moeda americana frente ao real."

Juros

Além desses fatores, o mercado também está em compasso de espera. Os investidores aguardam as decisões dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos que, nesta quarta-feira (17/6), a "Superquarta", anunciam as taxas de juros básicas dos dois países.

Metrópoles


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