A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou em comunicado à imprensa nesta quinta-feira (9/7) que os ataques recentes dos Estados Unidos "prejudicam seriamente" a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota marítima de petróleo do Oriente Médio.
Nas últimas duas noites, o Exército dos EUA atacou 170 alvos no Irã, e o presidente Donald Trump afirmou que o cessar-fogo entre os países acabou. O Irã, por outro lado, lançou ataques contra bases militares dos EUA no Catar, Kuwait e Bahrein.
Fim da trégua
Estados Unidos e Israel entraram em guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, após ataques que mataram o líder supremo do regime islâmico, Ali Khamenei.
Desde então, a Guarda Revolucionária do Irã fechou o Estreito de Ormuz, canal marítimo que fica entre o Irã e o Omã, e pelo qual passa 20% do petróleo mundial.
Após meses de conflito, EUA e Irã chegaram a um memorando de entendimento em 17 de junho, que previa uma trégua de 60 dias enquanto questões seriam discutidas para uma paz definitiva.
Os EUA exigiam que o Irã abandonasse seu programa nuclear, e reabrisse o Estreito de Ormuz, rota marítima pela qual passa 20% do petróleo mundial. Já o Irã exigia a liberação de seus ativos congelados no exterior e a suspensão de sanções contra o país.
Nessa quarta-feira (8/7), Trump afirmou publicamente que o acordo de trégua acabou. Os países voltaram a trocar ataques.
No comunicado, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica afirma que, com a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, o nível de navegação de embarcações já atingiu 50% do fluxo anterior à guerra, e está "em vias de aumentar a capacidade de trânsito de embarcações" que respeitem as exigências de travessia.
"Declaramos mais uma vez que os estrangeiros não têm qualquer direito nesta terra e no Estreito de Ormuz. O aventureirismo do exército terrorista dos Estados Unidos e a interferência na determinação das rotas de tráfego, além de enfrentarem a nossa resposta esmagadora, também confrontarão o processo de reabertura gradual com sérias perturbações e colocarão em grave risco os interesses dos países que se beneficiam do Estreito de Ormuz", diz a Marinha da IRGC.
Ao menos 14 pessoas morreram no Irã em ataques dos EUA nos últimos dois dias, segundo o Ministério da Saúde iraniano.
Metrópoles