Os Estados Unidos ampliaram, nesta quarta-feira (15/7), a ofensiva contra o crime organizado transnacional ao designar o Cartel de Juárez e Los Viagras como organizações terroristas estrangeiras e terroristas globais especialmente designados.
A mudança foi publicada pelo Departamento do Tesouro na lista de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) e reforça a estratégia de Washington de tratar grandes organizações criminosas latino-americanas sob a mesma arquitetura jurídica utilizada para grupos terroristas.
A atualização altera a classificação dos dois cartéis mexicanos na Lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN). Antes enquadrados apenas sob a ordem executiva voltada ao combate ao tráfico internacional de drogas (EO 14059), ambos passam agora a figurar também como Grupos Terroristas Transnacionais (FTO) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT).
Nos registros atualizados do OFAC, o Cartel de Juárez aparece também pelos nomes Organização Vicente Carrillo Fuentes (VCFO), Organização de Tráfico de Drogas Carrillo Fuentes, La Línea e Barrio Azteca.
Já Los Viagras são identificados ainda como Cartel de Los Viagras, Cartel Los Viagras e Los Blancos de Troya.
Organização terrorista nos termos dos EUA
Segundo o Departamento de Estado, uma organização terrorista estrangeira é um grupo sediado fora dos Estados Unidos que atende aos critérios previstos na Seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade.
A classificação busca reduzir o apoio a atividades terroristas, ampliar a capacidade de investigação e dificultar o acesso dessas organizações ao sistema financeiro internacional.
Na prática, a designação determina o bloqueio de todos os bens e interesses dos grupos que estejam em território americano ou sob controle de cidadãos e empresas dos Estados Unidos.
Também proíbe, de forma geral, que pessoas e empresas americanas realizem transações com as organizações, além de facilitar ações de investigação e cooperação internacional contra seus integrantes e redes de financiamento.
Com a decisão, sobe para oito o número de organizações criminosas mexicanas classificadas pelos Estados Unidos como terroristas. A lista inclui o Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), Cartel del Noreste, Cartel del Golfo, La Nueva Familia Michoacana, Cárteles Unidos, além do Cartel de Juárez e Los Viagras.
A medida também amplia a estratégia adotada recentemente por Washington em outros países da América Latina.
Em maio deste ano, os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, inserindo as facções brasileiras na mesma estrutura de combate utilizada contra cartéis mexicanos, grupos armados colombianos, como ELN, FARC-EP e Segunda Marquetalia, o Sendero Luminoso, no Peru, e organizações transnacionais como o Tren de Aragua e a Mara Salvatrucha (MS-13).
A ampliação das designações ocorre em meio a uma nova fase da política americana para a América Latina, na qual temas como crime organizado, terrorismo, migração, tecnologia, minerais críticos e disputa geopolítica passaram a ser tratados de forma integrada.
Metrópoles