O governo do presidente norte-americano, Donald Trump, concedeu o green card ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Os filhos e a esposa do ex-parlamentar também receberam o mesmo documento.
O documento possibilita que um cidadão estrangeiro resida, trabalhe e estude nos EUA por tempo indeterminado, sem precisar de nenhuma autorização especial.
A informação foi revelada nesta segunda-feira (20/7) pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e confirmada pelo Metrópoles.
Direitos no exterior
O ex-deputado mudou-se para os EUA no final de fevereiro de 2025. Agora, passou a ter direito ao green card, documento que autoriza um estrangeiro a viver de forma permanente no país.
Na prática, o green card garante a Eduardo uma série de direitos semelhantes aos de um cidadão norte-americano. Como por exemplo, morar e trabalhar legalmente no país norte-americano por tempo indeterminado.
No entanto, o documento não concede todos os direitos da cidadania norte-americana. Eduardo, por exemplo, continua impedido de votar nas eleições norte-americanas ou disputar cargos públicos que exijam cidadania dos EUA.
Relações comerciais instáveis entre Brasil e EUA
A concessão da residência permanente ocorre em meio a um momento de forte desgaste nas relações entre Brasil e EUA.
Na última quarta-feira (15/7), o governo norte-americano confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida encerrou uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas e exportadores norte-americanos.
O cenário também coincide com a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No mês passado, a Corte definiu a pena em 4 anos e 2 meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo.
Segundo o STF, ficou comprovado que o deputado atuou nos EUA para tentar interferir na ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
Na denúncia aceita pela Corte, o próprio Eduardo disse ter feito articulações com o governo Trump. O objetivo, de acordo com o STF, era defender sanções contra autoridades brasileiras e medidas econômicas para pressionar o Brasil.
Ter o green card não impede, sozinho, um pedido de extradição. Mas ser residente permanente nos EUA pode deixar esse processo mais complicado.
Além disso, uma eventual extradição depende de questões diplomáticas e jurídicas e da decisão das autoridades norte-americanas. Nesse contexto, o apoio já declarado do governo Trump a Eduardo Bolsonaro é visto como um fator que pode influenciar esse cenário.
Metrópoles