O fundador e ex-líder do Cartel de Sinaloa, Ismael Zambada García, conhecido como El Mayo, foi condenado nesta segunda-feira (20/7) à prisão perpétua por um tribunal federal do Brooklyn, em Nova York, após se declarar culpado de duas acusações relacionadas ao crime organizado.
Além da pena de prisão, o tribunal determinou o confisco de US$ 15 bilhões, valor que as autoridades americanas estimam corresponder a parte da fortuna acumulada por Zambada durante décadas no comando da organização.
"Aceito minha punição"
Durante a audiência, El Mayo leu uma carta na qual assumiu responsabilidade por seus atos e pediu o fim da violência associada ao narcotráfico.
"Aceito minha punição; não estou aqui para pedir compaixão. Estou aqui para assumir minha responsabilidade e pedir perdão", afirmou.
O ex-narcotraficante também dirigiu uma mensagem aos jovens mexicanos. "A violência deve acabar no México e em outros lugares. Ninguém ganha nesta guerra. À próxima geração eu digo: sigam um caminho diferente. Não há nada de honroso na violência", declarou.
A sessão ocorreu com a presença do diretor da Administração de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA), Terry Cole.
O juiz recomendou ao Departamento Federal de Prisões que Zambada seja transferido para uma unidade com capacidade de oferecer tratamento médico especializado, em razão de diversas doenças mencionadas pela defesa.
Promotoria, defesa e magistrado concordaram que a pena de prisão perpétua era obrigatória, consequência direta do acordo de confissão firmado pelo réu em 2025.
Acusação ligou cartel à crise de overdoses
Ao justificar a gravidade da pena, o Ministério Público americano associou as operações do Cartel de Sinaloa à epidemia de overdoses nos Estados Unidos.
Segundo os promotores, a organização traficava toneladas de cocaína, maconha, metanfetamina, heroína e fentanil.
Zambada respondia originalmente a 17 acusações nos EUA, incluindo crime organizado, tráfico internacional de drogas, posse de armas e lavagem de dinheiro.
O acordo de confissão, segundo a defesa, também não previa que El Mayo atuasse como testemunha ou informante.
Em troca da admissão de culpa, o narcotraficante renunciou a diversos direitos processuais, entre eles o direito de recorrer da própria condenação.
Suposto sequestro por Los Chapitos
A condenação ocorre quase dois anos após a captura de Zambada em El Paso, em julho de 2024. Desde então, o caso ganhou repercussão internacional por causa da alegação de que o traficante teria sido sequestrado por Los Chapitos, facção liderada pelos filhos de El Chapo.
Em uma carta divulgada por sua defesa, El Mayo afirmou que foi enganado para participar de uma reunião política em Sinaloa e, ao chegar ao local, acabou capturado por homens ligados a Joaquín Guzmán López.
Segundo o relato, ele teria sido levado a um quarto, imobilizado, colocado em uma van, transportado até um aeródromo, sedado e embarcado em um pequeno avião com destino aos Estados Unidos.
Durante a audiência de confissão de culpa de Joaquín Guzmán López, promotores americanos afirmaram que a operação foi uma armadilha organizada por Los Chapitos.
De acordo com o Ministério Público, o filho de El Chapo esperava obter benefícios judiciais com a entrega de Zambada, mas não receberá créditos pelo sequestro.
Ismael Zambada, de 78 anos, é considerado um dos traficantes mais influentes da história do México. Ele foi associado a nomes como Miguel Ángel Félix Gallardo, Rafael Caro Quintero, Amado Carrillo Fuentes e Joaquín Guzmán Loera, com quem fundou o Cartel de Sinaloa.
Investigações apontam que seus primeiros passos no tráfico ocorreram na década de 1970.
El Mayo teria herdado contatos e estruturas de lavagem de dinheiro, ampliando sua influência até se tornar uma das principais lideranças do narcotráfico mexicano.
Metrópoles