O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (27/7) que decidiu interromper temporariamente a ofensiva militar contra o Irã para abrir espaço a uma nova tentativa de negociação entre os dois países. Apesar da pausa, o republicano advertiu que poderá autorizar novos ataques caso as conversas não avancem.
Em entrevista ao site norte-americano Axios, Trump disse que as tratativas com Teerã estão em andamento, mas indicou que a janela para um acordo será curta.
"Estamos em negociações muito profundas com o Irã. Se não funcionarem, voltaremos a uma ação militar muito forte."
Questionado sobre quanto tempo pretende aguardar antes de decidir os próximos passos, respondeu:
"Não muito. Ou acontece rápido, ou não acontece".
Irã descarta retomada das negociações
Do lado iraniano, o governo afirmou que, neste momento, não pretende retomar negociações formais de paz com Washington.
Ainda assim, Teerã informou que manterá suspensas as operações militares enquanto as forças norte-americanas também permanecerem sem realizar ataques.
O governo iraniano também reiterou que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. Os Estados Unidos defendem que a navegação na região ocorra sem restrições.
EUA e Irã entram em trégua informal
A redução dos confrontos ganhou força após Estados Unidos e Irã interromperem as operações militares, dando início a uma trégua informal, ainda sem prazo para terminar.
A pausa foi confirmada pelo governo iraniano nesse domingo (26/7). Em entrevista à televisão estatal, o porta-voz das Forças Armadas do país, Mohammad Akraminia, afirmou que Teerã decidiu cessar os ataques de retaliação depois que os bombardeios norte-americanos foram interrompidos.
"Nas últimas duas noites, os EUA interromperam seus ataques e, como eu disse, nossa resposta foi de retaliação. Portanto, interrompemos as operações de retaliação", declarou.
Os Estados Unidos não realizam ataques contra alvos iranianos desde a última sexta-feira (24/7). Antes da interrupção, a campanha militar americana havia se estendido por 13 dias consecutivos.
A decisão surgiu em meio à diminuição do arsenal de mísseis norte-americanos, os gastos da guerra ultrapassam US$37,5 bilhões, enquanto o aumento da tensão no Oriente Médio impulsionou o preço internacional do petróleo para acima de US$100 por barril.
Guerra Irã-EUA
A guerra entre Estados Unidos e Irã teve início em 28 de fevereiro, após ataques dos EUA e Israel que mataram o então líder supremo do Irã Ali Khamenei.
Em retaliação, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) fechou o Estreito de Ormuz, rota marítima pela qual 20% do petróleo mundial é transportado.
Após meses de guerra, EUA e Irã chegaram em um acordo preliminar em 17 de junho. O documento previa 60 dias de trégua para que os países resolvessem as questões divergentes para um fim definitivo do conflito, e uma reabertura gradual do Estreito de Ormuz para navegação comercial.
No dia 8 de junho, os países voltaram a trocar ataques, e o presidente americano Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo.
Desde então, os Estados Unidos têm atacado o Irã diariamente, e o país persa revida alvejando bases militares estadunidenses no Oriente Médio.
Os Estados Unidos afirmam que retomaram o bloqueio naval contra navios ligados ao Irã e Trump afirmou que pretende tomar o controle do Estreito de Ormuz.
EUA e Irã entram em trégua informal no domingo (26/7) após dias de ataques seguidos
Metrópoles