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Pastor é preso por chicotear fiéis, mantê-los em cárcere e estuprar adolescentes

Polícia Civil deteve líder da igreja, onde mantinha até 150 pessoas abrigadas


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Divulgação/ Polícia Civil do Maranhão

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A Polícia Civil do Maranhão prendeu David Gonçalves Silva, líder da igreja Shekinah House Church, suspeito de abusar sexualmente de adolescentes e agredir fisicamente fiéis que moravam na sede da instituição. A detenção ocorreu em Paço do Lumiar, região metropolitana de São Luís, durante a operação "Falso Profeta".

Conforme informações da polícia, o religioso mantinha entre 100 e 150 pessoas abrigadas na sede da igreja, sendo a maioria delas jovens. As investigações apontam que Silva submetia os moradores a agressões com chicote e o pastor ainda é acusado de cometer crimes sexuais contra adolescentes que viviam no local.

David foi preso na última sexta-feira (17/4) e, no dia seguinte, a Justiça realizou audiência de custódia e decidiu por manter a prisão preventiva. Autoridades investigam o líder religioso por estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

Controle e vigilância constante

Investigações apontam que David usava a posição de autoridade religiosa para exercer controle total sobre os abrigados. O pastor se referia aos jovens como "peões" e chamava os quartos onde dormiam de "baias". Ele ainda submetia os moradores a agressões com chicote, prática que ele chamava de "readas".

Os moradores enfrentavam restrições severas de liberdade. Não podiam usar telefone celular, receber visitas de familiares e só saíam do local acompanhados. O delegado Sidney Oliveira explicou à imprensa local que o religioso mantinha vigilância constante sobre os jovens, que eram vigiados até mesmo enquanto tomavam banho.

Durante a operação policial, os investigadores encontraram evidências dos castigos aplicados pelo pastor. A polícia encontrou na igreja um papel com a frase "eu preciso aprender a respeitar o meu líder" escrita à mão cerca de cem vezes.

A igreja Shekinah House Church funciona há pelo menos 20 anos. A instituição se descreve em suas redes sociais como "a concretização de um sonho de Deus". Responsável pela sede, David fazia pedido de doações nas redes para manter o que chamava de projeto social.

Investigação

A polícia identificou pelo menos seis possíveis vítimas que confirmaram as práticas criminosas. As investigações começaram há dois anos, quando um fiel procurou as autoridades para denunciar o pastor.

Uma das vítimas concedeu entrevista à TV Mirante, em que relatou ter entrado na igreja aos 13 anos, quando vivia em situação de rua. Segundo o depoimento, ele e outros adolescentes foram abusados pelo pastor. "Eu tive relações com ele várias vezes. Ele disse que, se me relacionasse com ele, estaria me relacionando com Deus", relatou.

Outras vítimas identificadas pela polícia, que atualmente vivem em outros estados, foram ouvidas pela polícia e confirmaram as práticas denunciadas. Ainda, durante a operação policial, investigadores encontraram evidências dos castigos aplicados pelo pastor, incluindo gravações de agressões.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa do pastor. O espaço segue aberto para manifestação.

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