O reforço das operações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, tem provocado o deslocamento de grupos criminosos para novas áreas da Amazônia. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), parte desses garimpeiros migrou inicialmente para a região do Sararé, em Mato Grosso, e agora avança sobre áreas protegidas do estado do Amapá.
A preocupação das autoridades é que a expansão da atividade ilegal coloque em risco uma das regiões mais preservadas do país, formada por unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas.
Operações miram regiões estratégicas da Amazônia
De acordo com o Ibama, as ações de fiscalização concentram esforços em áreas de grande relevância ambiental, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e o Vale do Jari, localizado na divisa entre Amapá e Pará.
A região abriga importantes ecossistemas amazônicos, incluindo o conhecido santuário das árvores gigantes, onde estão exemplares de angelim-vermelho que ultrapassam 80 metros de altura.
Seis operações realizadas em 2026
Somente neste ano, o Ibama realizou seis grandes operações de combate ao garimpo ilegal no Amapá.
A mais recente, denominada Operação Calha Norte, ocorreu entre os dias 12 e 17 de maio e resultou na desarticulação de sete áreas de exploração clandestina.
Durante a ação, os agentes inutilizaram:
Explosivos revelam mudança na atuação dos criminosos
Em uma das bases utilizadas pelos garimpeiros, os fiscais apreenderam 441 explosivos, utilizados na abertura de galerias subterrâneas para extração de ouro.
Segundo o Ibama, esse método, conhecido como garimpo de filão, demanda maior estrutura financeira e tecnológica e costuma provocar impactos ambientais ainda mais severos, incluindo alterações no relevo e contaminação de rios pelo uso de mercúrio.
Prejuízo milionário ao crime organizado
Durante as operações, 15 pessoas chegaram a ser detidas. No entanto, nenhuma permaneceu presa devido às limitações logísticas enfrentadas pelas equipes de fiscalização.
De acordo com o órgão ambiental, as aeronaves utilizadas nas ações não possuíam capacidade para transportar simultaneamente todos os suspeitos até delegacias localizadas em áreas urbanas.
Mesmo sem prisões efetivadas, o Ibama estima que a Operação Calha Norte provocou um prejuízo superior a R$ 6 milhões às organizações criminosas envolvidas na exploração ilegal de ouro.
Maior área protegida do país enfrenta novo desafio
O Amapá possui cerca de 73% de seu território protegido, o maior percentual entre todos os estados brasileiros.
São 21 unidades de conservação, além de extensas áreas indígenas e quilombolas que formam um dos principais corredores de biodiversidade da Amazônia.
Segundo o Ibama, essa ampla cobertura ambiental, que historicamente contribuiu para conter o desmatamento, passou a representar também um desafio para a fiscalização, diante do avanço de grupos criminosos em regiões remotas e de difícil acesso.
Portal SGC