O que era apenas lazer entre um pai e seus dois filhos se transformou, em três anos, em um dos projetos esportivos mais relevantes de Porto Velho. No Skate Park da capital, o professor Breno Rodrigo, conhecido como Batata, deixou o papel de pai brincando com os próprios filhos para assumir a missão de educador e mobilizador comunitário.
A virada aconteceu de forma inesperada. Durante uma das sessões de treino com os filhos, Batata foi abordado por um pai que observava a cena. Ele pediu ajuda para o filho, que tem autismo e déficit de atenção. O caso viralizou e a demanda cresceu rapidamente.
Hoje, o projeto Patins Batata atende 120 crianças ativas, com mais de 40 na fila de espera. A página do Instagram já ultrapassou 2,5 mil seguidores e registra mais de 300 mil visualizações mensais. O modelo de funcionamento é solidário: famílias que têm condições financeiras ajudam a custear o acesso de outras crianças. Mais de 20 alunos com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) já passaram pelas aulas, com melhorias relatadas no desenvolvimento físico e emocional.
Para além das manobras e giros sobre rodas, o projeto se consolidou como espaço de acolhimento. Batata tornou-se referência na vida das crianças, muitas das quais chegam com dificuldades de socialização e desafios emocionais. Em relatos, pais descrevem avanços na coordenação motora, no equilíbrio e na autoestima dos filhos.
As crianças, por sua vez, encontram no patins diversão e senso de comunidade. Júlia pediu aos pais para aprender após se encantar vendo outras crianças patinarem. Ana Alice celebrou a conquista de descer as rampas. Matheus realizou o giro de 360 graus, manobra que considerava impossível. Lívia, que tinha medo das descidas, criou coragem com o incentivo do professor.
Apesar do impacto social, o projeto enfrenta um obstáculo estrutural. A ausência de um espaço coberto obriga o cancelamento ou improviso das aulas em dias de chuva — situação frequente em Porto Velho. Batata aponta que essa é a maior dificuldade atual para o crescimento da iniciativa.
O que começou com um gesto espontâneo entre pai e filhos hoje forma uma rede de apoio, desenvolvimento e esperança sobre rodas. Em três anos, mais de 500 crianças passaram pelo projeto.
Natália Figueiredo - Portal SGC