Nos últimos anos, o número de veículos circulando pelas ruas de Porto Velho tem apresentado um crescimento expressivo. O que, em um primeiro momento, pode ser visto como um sinal de desenvolvimento econômico e acesso ao crédito, acende um alerta vermelho para especialistas em urbanismo: a cidade está se tornando um reflexo dos problemas de mobilidade típicos das grandes metrópoles.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran-RO) indicam que a frota da capital já ultrapassa a marca de 350 mil veículos, considerando carros, motocicletas e caminhões. Só na última década, o crescimento acumulado foi de aproximadamente 40%, um ritmo muito superior à capacidade de expansão e manutenção da malha viária existente .
Com mais carros e motocicletas circulando diariamente, avenidas movimentadas como Jorge Teixeira, Guanabara, Mamoré e Jatuarana enfrentam trânsito mais intenso especialmente nos horários de pico. O tempo de deslocamento entre as zonas da cidade, que antes era calculado em minutos, agora pode chegar a quase uma hora para quem mora em bairros distantes como Cidade do Leste, Jaci-Paraná ou Extrema.
A situação é agravada pelo fato de que o aumento da frota nem sempre é acompanhado pela expansão da infraestrutura viária ou por investimentos proporcionais em um transporte público de qualidade. Como resultado, Porto Velho começa a enfrentar problemas de congestionamento e acidentes que antes eram mais comuns em capitais como São Paulo ou Rio de Janeiro.
Além do tempo perdido, o aumento no número de veículos contribui para a poluição sonora e do ar, além de pressionar o sistema viário, que muitas vezes opera no limite. A ocupação de espaços urbanos por estacionamentos e a falta de segurança para pedestres e ciclistas também entram na conta dos impactos negativos.
Falta de infraestrutura e obras emergenciais
A situação precária de algumas vias escancara os desafios. Um exemplo recente foi registrado na região da Linha 19, na zona rural, onde uma erosão de grandes proporções impediu a passagem do transporte coletivo. Moradores e o vereador Fernando Silva (Republicanos) denunciaram o problema, que prejudicencia principalmente estudantes que dependem do ônibus para chegar à escola. A secretaria municipal competente foi acionada para avaliar os reparos .
Paralelamente, a Prefeitura de Porto Velho anunciou para 2026 a pavimentação da rodovia Expresso Porto, que liga a BR-364 aos portos do médio Madeira. A obra, que deve durar até novembro de 2027, tem como objetivo principal desviar o tráfego pesado de caminhões que atualmente congestionam a Avenida Jorge Teixeira para acessar os terminais portuários. De acordo com a concessionária Nova 364, a medida visa "retomar a mobilidade urbana de Porto Velho", retirando cerca de 70% do tráfego de carretas do perímetro urbano .
Busca por soluções
Diante desse cenário, a discussão sobre um plano de mobilidade sustentável torna-se urgente. Especialistas defendem que não basta apenas abrir novas ruas ou asfaltar rodovias; é necessário integrar modais de transporte e incentivar meios alternativos, como o uso de bicicletas e a melhoria das calçadas para pedestres.
Reuniões entre o Legislativo e o Executivo municipal, como a realizada entre o vereador Dr. Gilber e o secretário da Secretaria de Infraestrutura (SEINFRA), Tiago Catanhede, têm colocado a infraestrutura e a mobilidade como prioridades para 2026, com foco na recuperação da malha viária e na drenagem urbana para prevenir alagamentos que também paralisam o trânsito .
Natália Figueiredo - Portal SGC