Rondônia

SGC TV: Moradias precárias em Rondônia ultrapassam 23 mil domicílios; Porto Velho concentra 17%

Dados do IBGE e Ipea escancaram a realidade da habitação no estado em meio ao lançamento da Campanha da Fraternidade 2026, que alerta para a crise


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Foto: Reprodução

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A dura realidade do acesso à moradia digna no Brasil é escancarada por estatísticas oficiais que revelam um país com milhões de famílias vivendo em condições precárias ou sem um teto próprio. Em Rondônia, o retrato não é diferente: dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 23 mil domicílios estão localizados em áreas de favelas, invasões ou palafitas em todo o estado. Apenas na capital, Porto Velho, a situação é ainda mais crítica, concentrando 17,36% desse total [informações fornecidas pelo usuário].

Esses números locais refletem um problema de proporções continentais. Segundo a Fundação João Pinheiro, com base em dados do IBGE (2023) e do CadÚnico, o Brasil enfrenta um déficit habitacional de 5,97 milhões de moradias — um contingente de famílias que precisam de uma casa própria ou que vivem em condições extremamente precárias [informações fornecidas pelo usuário]. O cenário se agrava quando se analisa a qualidade dessas moradias.

Um levantamento mais recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2025, indica que impressionantes 16,3 milhões de famílias brasileiras vivem em domicílios com algum tipo de inadequação básica. Isso significa que milhões de brasileiros ainda não têm acesso regular a serviços essenciais como água tratada, rede de esgoto, banheiro exclusivo ou energia elétrica em suas casas [informações fornecidas pelo usuário].

Um País de Favelas

A fotografia da desigualdade fica ainda mais nítida com os dados do Censo 2022, que identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas espalhadas por 656 municípios . Nesses territórios, vivem 16.390 milhões de pessoas, o que representa 8,1% da população nacional . Para se ter uma ideia da magnitude, esse número é superior à população de muitos países e, em comparação com o Censo de 2010 (que contava 11,4 milhões em favelas), observa-se um crescimento expressivo, impulsionado não só pelo aumento populacional, mas também pelo aprimoramento das técnicas de identificação do IBGE .

Os dados mais recentes da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), divulgados pelo IBGE em 2025 com recorte para 2024, mostram que a precariedade atinge diferentes esferas. Quase 67,4% dos municípios brasileiros declararam ter loteamentos irregulares ou clandestinos, uma situação que, embora estável em relação a 2020 (67,9%), revela a dificuldade de acesso à terra urbanizada e regular . A Região Norte, onde Rondônia está inserida, registra a maior proporção de cidades com favelas e assemelhados do país: 32,5% .

O fenômeno é tipicamente urbano e se acentua nos grandes centros. As 26 principais concentrações urbanas do país, com mais de 750 mil habitantes, abrigam 82,6% de todas as pessoas que vivem em favelas no Brasil .

Norte e Rondônia no Mapa da Precariedade

O estado de Rondônia, inserido nesse contexto regional, convive com um passivo habitacional significativo. As 23 mil moradias em situação de favelização ou em áreas de invasão, conforme os dados do Censo de 2022, são um retrato da vulnerabilidade social e da omissão histórica de políticas de planejamento urbano e habitacional [informações fornecidas pelo usuário]. A alta concentração desses domicílios em Porto Velho evidencia os desafios de uma capital que cresceu de forma acelerada e desordenada, especialmente em áreas de risco e de preservação permanente, como as palafitas ao longo do Rio Madeira.

A Moradia como Reflexão Nacional

É nesse contexto de urgência social que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança, neste mês de março — período da Quaresma, tradicionalmente dedicado à reflexão e penitência pelos católicos — a Campanha da Fraternidade 2026. Com o tema "Fraternidade e Moradia" e o lema "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14), a iniciativa visa despertar a sociedade e o poder público para a necessidade de garantir esse direito fundamental, previsto na Constituição [informações fornecidas pelo usuário].

A escolha do tema não poderia ser mais oportuna. O contraste entre a sofisticação arquitetônica de algumas áreas urbanas e a realidade de milhões de brasileiros que vivem em domicílios inadequados ou em filas por uma casa própria expõe uma das mais profundas chagas sociais do país. A campanha propõe um olhar atento para os números do déficit habitacional e da moradia precária, como os que afligem Rondônia, na esperança de que a comoção se transforme em ação concreta e em políticas públicas duradouras, garantindo não apenas um teto, mas a dignidade de um lar para todos.

Natália Figueiredo - Portal SGC


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