A inadimplência no Brasil apresentou sinais de desaceleração em maio de 2026, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. O levantamento revela que 113 mil novos CPFs foram cadastrados no sistema de negativação no período, o menor crescimento mensal desde o início do ano, representando um avanço de apenas 0,14% em relação a abril.
Apesar do dado positivo, o cenário geral ainda é preocupante. O Brasil atingiu a marca histórica de 83,5 milhões de pessoas em situação de inadimplência em maio, o que corresponde a cerca de 50% da população adulta do país . Os brasileiros acumulam 344 milhões de dívidas negativadas, que somam mais de R$ 574 bilhões com valor médio de R$ 6.877 por consumidor.
O perfil do inadimplente brasileiro mostra que a faixa etária entre 41 e 60 anos concentra a maior fatia, com 35,7% do total. Na sequência estão os consumidores de 26 a 40 anos (33,3%), acima de 60 anos (20%) e os jovens entre 18 e 25 anos (11%) .
Os bancos e instituições financeiras seguem como principal origem das dívidas no país, concentrando 46,87% do total de débitos . O segmento, no entanto, apresentou uma leve queda de 0,4% no último mês. Em todo o Brasil, bancos e cartões de crédito representam 27,5% do total de débitos, seguidos por contas básicas (21%) e financeiras (19,8%).
Norte registra queda, mas Porto Velho tem 230 mil negativados
Das 27 unidades federativas do país, 14 registraram redução no volume de consumidores negativados em maio. Na região Norte, 19.398 consumidores deixaram o cadastro de inadimplência no período. Entre os sete estados da região, quatro apresentaram redução, com destaque para o Pará, onde 16.075 pessoas regularizaram sua situação financeira. O Amazonas teve uma sutil redução de menos 219 inadimplentes, enquanto no Amapá 2.191 pessoas conseguiram regularizar sua situação e em Roraima foram 913.
A realidade, porém, é diferente em Rondônia. Dados de maio de 2025 já apontavam que mais da metade da população de Porto Velho estava inadimplente, com mais de 230 mil negativados na capital . Quando o recorte é por estado, Rondônia tem 637.145 pessoas com dívidas, correspondente a 49,42% da população. As principais dívidas dos portovelhenses são com bancos, cartão de crédito e cheque especial .
A situação de Porto Velho reflete desafios estruturais mais amplos. A capital rondoniense foi classificada como a pior capital para se viver no Brasil, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) 2026, ocupando a última posição entre as 26 capitais e o Distrito Federal no ranking de qualidade de vida, com 58,59 pontos, abaixo da média nacional de 63,40 .
O levantamento do IPS, desenvolvido pelo Imazon em parceria com outras instituições, avalia 57 indicadores divididos em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos para o bem-estar e oportunidades. Porto Velho também não aparece entre os 15 municípios mais bem avaliados de Rondônia. No ranking estadual, Rondônia ocupa a 23ª posição, com média de 58,60 pontos, à frente apenas de Amapá, Acre, Maranhão e Pará .
A cidade também enfrenta problemas históricos de infraestrutura. Porto Velho aparece há 10 anos na última posição do ranking de saneamento básico entre as 100 maiores cidades do país, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil. Apenas 9,89% da população tem acesso ao tratamento de esgoto, enquanto mais da metade dos moradores vive sem água tratada .
Programas de renegociação e iniciativas locais
Em meio ao avanço da inadimplência, a Serasa mantém iniciativas voltadas à renegociação de débitos. Durante o mês de maio, o valor médio de cada acordo realizado na plataforma de renegociação foi de R$ 793 com mais de R$ 15,9 bilhões em descontos concedidos no período. Cerca de 743 milhões de ofertas ainda estão disponíveis para negociação no Serasa Limpa Nome, somando mais de R$ 1,1 trilhão em ofertas disponíveis .
O Novo Desenrola Brasil permite a renegociação de débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratados até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e 2 anos. Os participantes podem obter descontos de até 90%, taxa máxima de juros de 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses para pagamento. Para aderir ao programa, é preciso ter renda máxima de R$ 8.105 por mês.
Em Porto Velho, a Prefeitura prorrogou o prazo de adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis 2026) até 31 de julho, ampliando as condições para negociação de débitos municipais. O programa agora contempla dívidas vencidas até 31 de dezembro de 2025, inscritas ou não em dívida ativa .
O Refis oferece desconto de até 100% em juros e multas para pagamento à vista. Para quem optar pelo parcelamento, os descontos são progressivos: até 6 parcelas com 90% de desconto, de 7 a 12 parcelas com 80%, de 13 a 18 parcelas com 70%, de 19 a 24 parcelas com 60%, e de 25 a 36 parcelas com 50%. É possível parcelar a dívida em até 36 vezes, com valor mínimo de 1 Unidade Padrão Fiscal (UPF) por parcela, atualmente fixada em R$ 108,52 .
Podem ser negociados débitos como IPTU, Imposto Sobre Serviços (ISS), Taxa de Resíduos Sólidos, Contribuição para Iluminação Pública (Cosip), além de taxas administrativas. O atendimento é realizado presencialmente na Procuradoria Geral do Município (PGM) .
A especialista da Serasa, Aline Maciel, destaca que a renegociação deve vir acompanhada de educação financeira: "O programa sozinho não vai fazer milagre. A gente viu pelo Desenrola passado que ele acaba suavizando a inadimplência, mas se outras ações não forem tomadas, a gente não vai ter uma redução significativa e a inversão da curva da inadimplência" .
As negociações podem ser feitas pelo site ou aplicativo da Serasa, pelo WhatsApp oficial (11) 99575-2096 ou presencialmente em mais de 10 mil agências dos Correios espalhadas pelo país.
Natália Figueiredo - Portal SGC