Rondônia

VÍDEO: "A gente não quer dinheiro, a gente quer só a nossa terra": moradores do Belmont temem perder tudo

Moradores afirmam viver há mais de 50 anos na área, onde vivem da agricultura, e dizem não ter para onde ir caso deixem a área.


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Há mais de cinco décadas, dezenas de famílias construíram suas vidas na comunidade Belmont, em Porto Velho. Entre plantações, criação de animais e o trabalho diário na agricultura, pais criaram filhos, netos nasceram e novas gerações permaneceram na mesma terra. Agora, o medo de uma possível desocupação tem tomado conta dos moradores, que afirmam não ter outro lugar para viver.

A agricultora Elivânia, de 46 anos, contou que nasceu na comunidade e nunca viveu em outro lugar. Emocionada, ela disse que a principal fonte de renda das famílias é a produção de verduras e outros alimentos que abastecem a capital.

"Vivemos da agricultura. Todo mundo precisa do que a gente produz. Se a gente sair de lá, muita gente vai ficar desamparada", desabafou.

Segundo ela, a possibilidade de deixar a área representa muito mais do que perder uma propriedade. É abandonar toda uma história construída pela família ao longo de décadas.

"É muito fácil querer tirar a gente de lá, como se tivéssemos invadido. Meu pai chegou lá há muitos anos e foi através dele que nossa família se estabeleceu. A gente não quer dinheiro. A gente quer apenas continuar na terra onde sempre morou", afirmou.

O pai de Elivânia, Francisco Ribeiro, reforçou o sentimento compartilhado pelos demais moradores. Ele contou que chegou à comunidade em 1970 e que foi autorizado pelo então proprietário da área a se instalar no local.

"Eu cheguei lá em 1970. Criei todos os meus filhos naquela terra. Hoje tem filhos, netos... são mais de 30 famílias morando lá. Nós não temos para onde ir. Nossa vida inteira está naquele lugar", disse.

De acordo com Francisco, além da produção de hortaliças, as famílias cultivam mandioca, criam galinhas e desenvolvem outras atividades agrícolas que garantem o sustento dos moradores e abastecem parte da população de Porto Velho.

Enquanto aguardam uma definição sobre o futuro da comunidade, os moradores afirmam que o único desejo é permanecer na área onde construíram suas vidas. Para eles, deixar a terra significa perder não apenas a casa, mas também a própria história.

Portal SGC


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