Rondônia

Mercado Central de Porto Velho guarda um tesouro vivo da música: conheça a história de Seu Miranda

Aos 82 anos, comerciante preserva há mais de cinco décadas um acervo de discos, CDs e fitas que mantém viva a memória musical de Porto Velho


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No coração do Mercado Central de Porto Velho existe um espaço onde o tempo parece caminhar em outro ritmo. Entre discos de vinil, fitas cassete, CDs e DVDs, a história da música se mistura às lembranças de milhares de pessoas que encontram no local muito mais do que produtos: reencontram parte de suas próprias vidas.

À frente desse acervo está Manuel Miranda de Souza, conhecido por todos como Seu Miranda. Aos 82 anos, ele se tornou um dos personagens mais tradicionais do Mercado Central e um verdadeiro guardião da memória musical da capital rondoniense.

Natural de Manaus, Seu Miranda chegou a Porto Velho em 1975 e, desde então, construiu sua trajetória no Mercado Central. Ao longo das décadas, acompanhou de perto as transformações da cidade, inclusive a substituição da antiga estrutura do mercado pelo prédio atual, permanecendo no mesmo ponto e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.

Apaixonado por música, trabalhou durante anos com gravadoras e, em 2003, decidiu transformar seu conhecimento em um negócio voltado à compra e venda de discos usados, CDs, fitas cassete e DVDs. Na época, muitos acreditavam que aquele mercado estava chegando ao fim.

Segundo ele, diversas pessoas sugeriam que descartasse os discos de vinil por acreditarem que eles não teriam mais valor. No entanto, Seu Miranda apostou na preservação desse patrimônio cultural e viu sua visão se confirmar anos depois, com o retorno do vinil ao gosto de colecionadores e de uma nova geração de admiradores da música analógica.

Hoje, sua banca reúne mais de cinco mil itens, incluindo clássicos da MPB, rock nacional e internacional, sertanejo e diversos outros gêneros musicais. O espaço tornou-se referência para colecionadores, turistas e moradores que buscam reviver lembranças ou descobrir a riqueza do som analógico.

Além de representar sua paixão, a banca foi responsável pelo sustento de sua família durante décadas. Trabalhando também com uma mercearia, Seu Miranda conseguiu criar as duas filhas, que se formaram em Pedagogia e Direito, respectivamente. Atualmente, também celebra a convivência com as duas netas, mantendo o comércio que se tornou parte da identidade cultural da cidade.

Entre os clientes está Marcelo Bispo de Souza, frequentador assíduo da banca, que costuma procurar discos e CDs de clássicos dos anos 1990 e do pop rock nacional e internacional. Para ele, ouvir um vinil ou um CD vai muito além da música.

Marcelo afirma que o som analógico oferece detalhes que muitas vezes passam despercebidos nas plataformas digitais, proporcionando uma experiência mais rica e emocionante para quem aprecia a qualidade sonora e o ritual de colocar um disco para tocar.

Para a Prefeitura de Porto Velho, histórias como a de Seu Miranda reforçam a importância de preservar os comerciantes tradicionais e valorizar personagens que ajudaram a construir a identidade da capital.

Mais do que um ponto de venda, a banca de Seu Miranda representa um espaço de memória, cultura e pertencimento. Em meio à evolução da tecnologia e ao avanço das plataformas digitais, o pequeno comércio continua atraindo pessoas que encontram ali uma oportunidade de reviver emoções, conhecer histórias e preservar um patrimônio afetivo que resiste ao tempo.

Quem visita o Mercado Central encontra, além de discos e CDs, um convite para redescobrir parte da história de Porto Velho através da música e das lembranças cuidadosamente preservadas por um dos seus mais tradicionais comerciantes.


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