Saúde

SGC TV: 22 milhões de pessoas sofrem com o vício em bets; especialista classifica como doença

Especialistas alertam que a compulsão por apostas online, conhecida como ludopatia, já afeta milhões de brasileiros e gera um rombo na saúde pública


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Joédson Alves/ Agência Brasil

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O Brasil enfrenta um crescente problema de saúde pública com o aumento do vício em jogos online, as chamadas "bets". Um levantamento recente aponta que entre 22 e 24 milhões de pessoas no país jogam com frequência nessas plataformas. O que muitos consideram uma diversão inofensiva pode se tornar uma grave dependência, alertam os especialistas.

De acordo com o psicólogo Deusedi Alves, o vício em jogos online é tecnicamente uma doença. Quando se trata especificamente de jogos eletrônicos e apostas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o problema como "Transtorno de Jogo pela Internet" ou "Distúrbio de Games", também conhecido como ludopatia. "É preciso ser tratado como uma dependência química, pois afeta o controle emocional e a saúde mental do indivíduo", explica o psicólogo.

O perfil dos apostadores, segundo os dados, é majoritariamente masculino: 62% dos jogadores são homens, contra 38% de mulheres. A maioria das pessoas que apostam gasta, em média, até R$ 500 por mês nas plataformas. Um exemplo é uma mulher de cerca de 60 anos, que preferiu não se identificar, e confessa ter o hábito de jogar, afirmando que, no fim, "tudo é uma mera ilusão". "Às vezes a gente ganha, mas na maioria das vezes, a mesa [a banca] leva", desabafa a mulher anônima.

O impacto desse vício vai além da vida pessoal dos jogadores e já afeta os cofres públicos. Enquanto as casas de apostas faturam cerca de R$ 240 bilhões por ano, gerando R$ 12 bilhões em impostos ao governo federal, o sistema de saúde gasta três vezes mais para tratar as consequências do problema. De acordo com os dados, o governo tem desembolsado R$ 38 bilhões anuais com o tratamento de pessoas dependentes de jogos, evidenciando um prejuízo social e econômico muito maior do que o lucro obtido com a taxação do setor.

"Eu fiz uma questão para um paciente: ‘Se você pudesse ganhar na loteria ou no jogo, mas tivesse que prometer que nunca mais jogaria na vida, você aceitaria?’ Ele pensou e disse que não. Isso mostra que o prazer não está em ganhar, mas no ato de jogar, no acesso ao jogo", exemplifica o psicólogo Deusedi Alves, explicando a complexidade do vício. "É bom a gente pensar que, para além da questão financeira, o jogo compromete a saúde e o controle emocional sobre tudo isso. O vício sequestra a capacidade de escolha do indivíduo", conclui.


Portal SGC


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