O Brasil apresentou na última terça-feira (19/5), durante a Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma proposta para criar regras internacionais voltadas à venda e à publicidade de alimentos ultraprocessados. A iniciativa foi anunciada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Genebra, na Suíça.
A proposta prevê medidas para reforçar o controle sobre a comercialização desses produtos, especialmente entre crianças e adolescentes. Alguns dos pontos defendidos pelo governo brasileiro são normas sobre propaganda, monitoramento do consumo e estratégias digitais usadas para divulgar os alimentos.
Segundo Padilha, o avanço da publicidade direcionada nas redes sociais e em plataformas digitais exige respostas mais rígidas.
"Nossa proposta chama atenção para práticas que exigem respostas regulatórias urgentes, como a publicidade direcionada, o marketing por influenciadores, os jogos publicitários, a personalização baseada em dados e os conteúdos digitais transfronteiriços", afirmou.
Foco em crianças e adolescentes
O Ministério da Saúde afirma que a ideia é criar sistemas mais claros para classificar alimentos ultraprocessados e ampliar o debate sobre hábitos alimentares saudáveis.
A preocupação está ligada ao aumento de doenças associadas à alimentação. Dados recentes apontam que metade das crianças e adolescentes brasileiros pode ter obesidade ou sobrepeso até 2040.
A proposta brasileira ainda será debatida entre os países-membros da OMS. A expectativa é que o tema avance ao longo dos próximos meses e possa ser votado na próxima Assembleia Mundial da Saúde, prevista para o início de 2027.
Caso avance, a iniciativa poderá abrir caminho para recomendações internacionais sobre publicidade e venda de alimentos ultraprocessados, principalmente em ambientes digitais voltados ao público infantil.
Metrópoles