A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta sexta-feira (29/5) a primeira recuperação confirmada de um paciente infectado pelo ebola durante o atual surto na República Democrática do Congo.
Segundo a entidade, o paciente recebeu alta hospitalar em 27 de maio e retornou para sua comunidade. Até agora, este é o único caso oficialmente registrado de recuperação desde o início da epidemia.
A notícia foi divulgada enquanto o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, visita o país para acompanhar as ações de combate à doença.
"Vir aqui é realmente mostrar à comunidade que ela não está sozinha", afirmou Tedros ao chegar à capital Kinshasa. Ele acrescentou que é importante que as equipes de saúde trabalhem próximas da população e que as comunidades também adotem medidas para se proteger.
Casos e mortes continuam aumentando
Apesar da recuperação, a situação continua preocupante. De acordo com a OMS, até esta semana haviam sido registrados 1.077 casos suspeitos e 238 mortes suspeitas relacionadas ao surto.
A epidemia é causada pela cepa Bundibugyo do vírus ebola, uma variante rara para a qual não existe vacina nem tratamento específico aprovado. Em surtos anteriores, essa cepa apresentou taxas de mortalidade entre 30% e 50%.
No episódio atual, os dados preliminares indicam uma letalidade inferior a 25%, embora os números ainda estejam sendo atualizados. A província de Ituri, no leste do país, concentra a maior parte dos casos.
Falta de recursos e violência geram obstáculos
Equipes médicas enfrentam uma série de obstáculos para conter a disseminação do vírus. Além da escassez de suprimentos, profissionais de saúde relatam dificuldades para atender pacientes em áreas afetadas por conflitos armados.
A desconfiança de parte da população também tem prejudicado as ações de controle da doença. Segundo relatos da OMS, protocolos adotados para o manejo seguro dos corpos das vítimas têm gerado resistência por entrarem em conflito com tradições funerárias locais.
Nos últimos dias, centros de saúde foram alvo de ataques em algumas regiões afetadas pelo surto.
Tedros também destacou que a insegurança alimentar e o deslocamento de pessoas provocado pelos conflitos dificultam ainda mais o trabalho das equipes. "Não podemos construir confiança da comunidade nem isolar os doentes enquanto bombas estão caindo", afirmou.
Metrópoles