Saúde

Novo marcador para detectar Alzheimer em estágio inicial

Segundo os pesquisadores, a detecção precoce pode ser essencial para identificar pessoas que provavelmente se beneficiarão de um tratamento específico


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Laboratório Pascoal, Universidade de Pittsburgh

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Um novo exame de imagem cerebral é capaz de detectar uma característica fundamental da doença de Alzheimer antes do aparecimento dos sintomas e mais cedo do que os métodos tradicionais. É o que diz uma pesquisa da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, publicada ontem na revista The Lancet.

Segundo os pesquisadores, a detecção precoce e precisa dos emaranhados de proteína tau no cérebro, característica do Alzheimer, pode ser essencial para identificar pessoas que provavelmente se beneficiarão de um tratamento específico feito ainda no começo da patologia. Hoje já existem algumas opções medicamentosas, todas voltadas à fase inicial da doença.

Para comparar a eficácia dos marcadores de tau, substâncias que fazem a proteína brilhar em exames de imagem, a equipe de pesquisa coordenou um estudo que recrutou 775 participantes. Em uma comparação direta, os voluntários foram submetidos à Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) — principal exame de imagem para a detecção do Alzheimer — uma vez utilizando o traçador padrão Flortaucipir e o outra com MK6240, um composto mais recente usado principalmente em ensaios clínicos.

Os voluntários também realizaram um exame PET de beta-amiloide, outra proteína-chave no Alzheimer, e avaliações cognitivas detalhadas em um intervalo de 45 dias. O coautor principal, Guilherme Povala, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Pittsburgh, afirmou que o desenho de comparação direta foi essencial para uma comparação justa. "Como os participantes realizaram ambos os exames com traçadores em um curto período, estamos analisando o mesmo momento no curso da doença, portanto as diferenças que observamos refletem os marcadores, e não mudanças ao longo do tempo."

Mais eficácia

Em participantes cognitivamente íntegros e com beta-amiloide positivo, o MK6240 identificou mais do que o dobro de casos positivos para tau em comparação com o Flortaucipir, 15% contra 6%, o que corresponde a 23 casos adicionais a cada 100 pessoas. Entre os voluntários com comprometimento, o MK6240 também foi eficaz, fazendo 15 diagnósticos a mais de alteração cognitiva leve e 21 adicionais de demência, também por 100 examinados.

"As pessoas geralmente procuram avaliação porque têm problemas de memória ou outros sintomas", enfatizou a coautora principal Bruna Bellaver, professora assistente de pesquisa em psiquiatria na Universidade de Pittsburgh. "O PET com proteína tau é uma ferramenta que pode ajudar os médicos a estadiar a biologia da doença e a tomar decisões mais informadas."

Correio Braziliense


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