Conhecida por fortalecer o sistema imunológico, a vitamina C também pode desempenhar um papel importante na saúde do cérebro. Uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade de Hirosaki, no Japão, identificou que idosos com níveis elevados da vitamina no sangue apresentavam uma estrutura cerebral mais preservada do que aqueles com concentrações menores.
Os resultados foram publicados em 10 de junho na revista científica PLOS One. Embora a descoberta seja promissora, os autores destacam que a pesquisa mostra apenas uma associação entre os fatores analisados. Ou seja, ainda não é possível afirmar que aumentar o consumo de vitamina C proteja o cérebro ou reduza o risco de doenças neurológicas.
Como a pesquisa foi realizada
O estudo analisou 2.044 adultos japoneses com 64 anos ou mais, participantes do Iki-Iki Health Promotion Project. A idade mediana era de 69 anos, e 61% dos voluntários eram mulheres.
Cada participante realizou uma ressonância magnética cerebral e um exame de sangue para medir a concentração de vitamina C no plasma. Depois, os pesquisadores dividiram os participantes em quatro grupos, dos menores aos maiores níveis da vitamina, para comparar as imagens do cérebro.
As análises também levaram em consideração fatores que poderiam influenciar os resultados, como idade, sexo, escolaridade, desempenho cognitivo, diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo, consumo de álcool e prática de atividade física.
O que os cientistas descobriram
A comparação mostrou que pessoas com concentrações mais altas de vitamina C apresentavam maior volume de massa cinzenta, região do cérebro que abriga os corpos dos neurônios e participa de funções como memória, linguagem, raciocínio e tomada de decisões.
Os pesquisadores também encontraram uma associação entre níveis mais elevados da vitamina e uma melhor preservação da chamada rede de modo padrão, conjunto de regiões cerebrais que permanece ativo durante momentos de descanso e está relacionado à memória, ao planejamento e à organização dos pensamentos.
Segundo os autores, uma das hipóteses para explicar os resultados é a forte ação antioxidante da vitamina C. Ao combater os radicais livres, ela pode ajudar a reduzir danos às células nervosas provocados pelo envelhecimento. Além disso, a substância participa da produção de neurotransmissores, moléculas responsáveis pela comunicação entre os neurônios.
Os pesquisadores ressaltam que o organismo humano não produz vitamina C. Por isso, a substância precisa ser obtida por meio da alimentação, principalmente com frutas cítricas, acerola, goiaba, kiwi, morango, tomate, brócolis e pimentão.
Apesar da associação encontrada, a pesquisa não demonstra que consumir mais vitamina C melhora a saúde cerebral. Como os participantes foram avaliados apenas uma vez, não é possível determinar se a vitamina influenciou diretamente as diferenças observadas ou se outros fatores contribuíram para os resultados.
A equipe conclui que novos estudos, acompanhando os participantes ao longo dos anos, serão necessários para esclarecer se manter níveis adequados de vitamina C pode ajudar a preservar a estrutura e o funcionamento do cérebro durante o envelhecimento.
Metrópoles