A celebração do Dia do Compositor, em 15 de janeiro, vai além dos holofotes. É um reconhecimento à arte, muitas vezes invisível, de quem tece letras e melodias para formar a trilha sonora da vida. Mas qual é o caminho entre uma vivência e uma música pronta? Mais do que inspiração, compor exige técnica, disciplina e sensibilidade, além de enfrentar desafios como reconhecimento profissional, direitos autorais e espaço no mercado musical.
Para o cantor e compositor Junior Duz Cariocas, com mais de 30 anos de trajetória no cenário musical e audiovisual, o processo tem seu cerne na tradução do real. Nascido em Manaus, criado no Rio de Janeiro e radicado em Porto Velho, ele carrega essas geografias afetivas em seu trabalho. Da batida do dance ao reggaeton e aos projetos audiovisuais, sua música é um reflexo das muitas realidades que atravessaram sua história. Pioneiro e símbolo de resistência artística em Rondônia, Junior também aponta caminhos para valorizar mais a profissão, discutindo as oportunidades e o cenário para os músicos.
Já para Oliver Ciriaco, violeiro apaixonado, a composição é uma via de expressão íntima e universal. Ele reforça que, além do dom e da inspiração, o trabalho exige fundamento, como saber tocar e escrever. Nesse processo de criação, reside um poder formador de identidade, e ele destaca a importância de se preservar e valorizar a figura do compositor. Para quem está começando, no Dia do Compositor, Oliver deixa um conselho que é quase uma canção em si: estudar a fundo a música para, então, poder criá-la.
Do sucesso nacional ao regional, do dance à viola caipira, uma verdade permanece: por trás de cada melodia que embala um momento, há um compositor dedicando técnica, alma e tempo. São eles que, ao darem voz aos sentimentos humanos, continuam escrevendo, nota a nota, a história cultural do país.
Natália Figueiredo - Portal SGC