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México x Brasil: de quem é a "guarda" do vira-lata caramelo?

Reconhecimento do "perro caramelo" no México reacendeu o debate sobre o cão que virou ícone cultural no Brasil


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Vans Bumbeers/Netflix

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Um cachorro sem raça definida virou motivo de debate entre Brasil e México. Conhecido como vira-lata caramelo, o animal é considerado um ícone cultural por muitos brasileiros, mas recentemente também passou a ser reconhecido pelo Estado do México como símbolo local. A decisão provocou repercussão nas redes sociais e reacendeu uma discussão sobre a origem e a identidade do cão mais famoso das ruas brasileiras.

Entenda

O Estado do México reconheceu o "perro caramelo" como símbolo local para combater o preconceito contra cães sem raça definida e incentivar a adoção.

No Brasil, o caramelo é tratado como um ícone popular, presente em memes, camisetas, músicas, desfiles de Carnaval e até em um filme da Netflix.

Um estudo genético liderado pela DNA Pets apontou que os caramelos são resultado da mistura de quase 300 raças da Europa, Ásia e Américas.

O Brasil tem mais de 20 milhões de cães vivendo nas ruas, segundo uma coalizão internacional de grupos de proteção animal.

A repercussão começou após o Ministério Público do Meio Ambiente do Estado do México declarar, em abril, o "perro caramelo" uma raça mexicana. A medida foi apresentada como uma forma de combater o estigma em torno dos cães vira-latas e incentivar a adoção. No Brasil, porém, a iniciativa foi recebida com resistência por quem considera o caramelo um símbolo nacional.

A popularidade do cão de pelagem castanha vai muito além das ruas. Os caramelos aparecem em memes, estampam camisetas, são citados em músicas virais, já foram homenageados no Carnaval e até estrelaram um filme da Netflix. Em 2023, parlamentares brasileiros chegaram a apresentar um projeto de lei para reconhecê-los como patrimônio nacional, mas a proposta não avançou. Alguns estados, como São Paulo, aprovaram legislações próprias declarando os animais tesouros culturais.

Debate ganhou o mundo

A origem do caramelo também ajuda a explicar sua forte ligação com o Brasil. Um estudo genético conduzido pela empresa DNA Pets revelou que esses cães são resultado da mistura de quase 300 raças diferentes.

Segundo a geneticista Jaqueline Oliveira Rosa, responsável pela pesquisa, o processo começou com animais trazidos por colonizadores e imigrantes e se intensificou ao longo da urbanização do país. "A história do caramelo é a história do Brasil", afirmou em entrevista ao New York Times.

Apesar da disputa simbólica, defensores da causa animal destacam que o reconhecimento mexicano foi inspirado pelo movimento brasileiro em defesa dos cães de rua. "O Brasil foi o primeiro a reconhecê-lo, a colocá-lo no mapa. O povo brasileiro deve se orgulhar muito disso", disse Claudia Edwards, diretora do programa mexicano da Humane World for Animals, também em entrevista para o portal internacional.

Para ativistas, a discussão pode ajudar a chamar atenção para um problema maior. Segundo estimativas de organizações de proteção animal, mais de 20 milhões de cães vivem nas ruas do Brasil. "Dói um pouco, porque sentimos que o caramelo é nosso", afirmou a protetora Camargo. "Mas é por uma boa causa."


Metrópoles


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