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Desenvolvimento depende menos de eventos e mais de ações concretas

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Debater desenvolvimento econômico deixou de ser uma escolha retórica em Rondônia e passou a ser uma necessidade prática diante de gargalos antigos que continuam limitando a competitividade do estado. Infraestrutura logística precária, insegurança tributária, dificuldade de acesso a mercados consumidores e baixa integração comercial com regiões estratégicas seguem entre os obstáculos enfrentados por empresários, produtores e investidores. Nesse contexto, a criação do Fórum Permanente de Desenvolvimento Econômico e Tributário de Rondônia, com encontro marcado para hoje e amanhã em Ji-Paraná, surge como uma iniciativa relevante — desde que produza resultados concreto.

Discussão entre poder público e setor produtivo é medida necessária em estados que ainda buscam ampliar participação econômica nacional. Rondônia possui posição geográfica estratégica, potencial logístico ligado ao agronegócio, capacidade de expansão comercial e possibilidade de fortalecer rotas internacionais, especialmente nas áreas de exportação. No entanto, esses ativos históricos frequentemente esbarram na lentidão administrativa e na ausência de planejamento de longo prazo.

A participação de representantes da Assembleia Legislativa, empresários, órgãos técnicos e especialistas amplia o alcance do debate. Temas previstos para o fórum, como comércio exterior, competitividade regional, ambiente tributário e integração logística, atingem diretamente setores que sustentam parte significativa da economia estadual. Também merece atenção o debate sobre Guajará-Mirim e sua posição estratégica em rotas comerciais, tema que há anos reaparece nas discussões econômicas sem avanços proporcionais.

Por outro lado, é preciso cautela para que o fórum não se transforme em mais um ambiente institucional voltado apenas para discursos protocolares. Rondônia já acompanhou diferentes propostas de desenvolvimento econômico que produziram diagnósticos amplos, mas poucos resultados mensuráveis. A repetição desse modelo seria um erro.

A presença de especialistas nacionais pode contribuir com análises externas e ampliar a compreensão sobre cenários econômicos mais complexos. Ainda assim, soluções importadas de outras realidades precisam ser adaptadas às características locais. Rondônia exige políticas compatíveis com sua estrutura econômica, desafios logísticos e limitações fiscais.

Outro ponto central será a prometida criação de câmaras técnicas e de uma agenda permanente. Se houver metas objetivas, cronograma público e transparência nos encaminhamentos, o fórum poderá cumprir papel relevante. Caso contrário, corre o risco de se tornar apenas mais um evento institucional sem impacto real.

O desafio está posto. Rondônia precisa menos de promessas grandiosas e mais de decisões técnicas capazes de gerar segurança econômica, ampliar investimentos e remover entraves históricos que freiam o crescimento do estado.

Diário da Amazônia

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