Brasil

Anvisa libera estudo de medicamento contra lesão medular

Cinco pacientes voluntários devem receber doses da substância chamada de polilaminina, que se mostrou capaz de recuperar parte dos movimentos perdidos


Imagem de Capa

Laboratório Cristália

PUBLICIDADE

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou nesta segunda-feira (5) o início do estudo clínico para avaliar a segurança do uso da polilaminina, uma proteína que se mostrou capaz de regenerar lesões na medula espinhal.

A substância, estudada por 25 anos pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é formada por uma proteína extraída da placenta humana, chamada de laminina.

Em estudos experimentais, cerca de 10 pacientes conseguiram recuperar os movimentos com o uso de polilaminina, entre eles um jovem de 31 anos que sofreu trauma por acidente de trânsito, uma mulher de 27 anos, que sofreu uma queda, e um homem de 33 anos, que sofreu lesão por arma de fogo.

A polilaminina é capaz de estimular neurônios maduros, que não iriam mais se desenvolver, a rejuvenescerem e criarem novos axônios - fios extremamente finos que transportam impulsos elétricos pelo corpo.

De acordo com a Anvisa, o laboratório Cristália, que patrocina o estudo, irá selecionar e acompanhar cinco voluntários com lesões medulares, com idades entre 18 e 72 anos, que receberão doses da substância. A equipe visa, neste momento, apenas pacientes que tenham sofrido o trauma no prazo máximo 72 horas, a chamada lesão aguda. Ainda não foi divulgado como e onde as pessoas serão selecionadas, mas segundo a farmacêutica, provavelmente será nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

O objetivo da primeira fase será avaliar a segurança da polilaminina, observando potenciais riscos e efeitos colaterais. A depender dos resultados, o medicamento poderá avançar para as fases 2 e 3, cujo objetivo é comprovar a eficácia para tratamento de lesões. Somente após as três etapas, o medicamento pode ser submetido à aprovação da Anvisa para comercialização no mercado.

Entre 250 e 500 mil pessoas no mundo sofrem com lesões medulares a cada ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. A polilalimina surge como uma alternativa promissora para reverter esse cenário.

"É muito significativo que possamos ter a aprovação pela Anvisa do estudo clínico de um produto de inovação radical, 100% nacional e de uma universidade pública (...) Esperamos que a gente possa avançar o mais rápido possível e ter mais evidências mais concretas da incorporação de um produto como esse no Sistema Único de Saúde", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (5) durante uma entrevista coletiva.

CNN


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais lidas de Brasil veja mais
Últimas notícias de Brasil veja mais