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O que acontece com Bolsonaro após derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria

Nova regra reduz penas do caso do golpe e pode antecipar progressão de regime do ex-presidente, mas não altera inelegibilidade


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Foto: Ton Molina/STF

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A derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chamado PL da Dosimetria abriu um novo capítulo na situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com a retomada do texto original pelo Congresso, as regras de cálculo de pena para crimes ligados à trama golpista foram alteradas — o que pode antecipar a ida de Bolsonaro ao regime semiaberto em um prazo de pouco mais de dois anos. A decisão final, no entanto, pode ficar com o Supremo.

O tema ganhou relevância política imediata por seu potencial impacto sobre a presença pública do ex-presidente, mesmo sem alterar sua condição eleitoral.

O que muda com o PL da Dosimetria?

O projeto atua em dois pontos centrais. O primeiro é a unificação das penas para os crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, que antes eram somadas. Na prática, isso reduz o tempo total de condenação.

O segundo ponto trata da progressão de regime. O texto permite que, em determinadas condições, o condenado cumpra apenas 20% da pena antes de avançar do regime fechado para o semiaberto.

Como isso afeta a pena de Bolsonaro?

Condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à trama golpista, Bolsonaro pode ser diretamente beneficiado pela nova regra.

Com a redução do tempo total de pena e a flexibilização da progressão de regime, a expectativa é que ele possa atingir os requisitos para o semiaberto em cerca de dois anos — considerando que já cumpre pena há mais de seis meses.

Bolsonaro pode sair da prisão?

A mudança não implica liberdade imediata, mas abre a possibilidade de Bolsonaro deixar o regime fechado mais cedo. No semiaberto, ele poderia ter direito a atividades externas durante o dia, o que permitiria retomar presença pública e contato político direto, ainda que com restrições.

Ele poderá disputar eleições?

Não. A nova legislação não altera a situação eleitoral do ex-presidente.

Bolsonaro permanece inelegível tanto pela condenação criminal quanto por decisões da Justiça Eleitoral que já o impedem de disputar cargos públicos.

A decisão é definitiva?

Ainda não. Apesar da derrubada do veto no Congresso, o governo pode contestar a medida no Supremo Tribunal Federal.

Além disso, mesmo com a lei em vigor, qualquer benefício concreto para Bolsonaro dependerá de decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, no âmbito da execução penal.

O que está em jogo politicamente?

A possibilidade de Bolsonaro voltar às ruas antes de 2030, ainda que em regime semiaberto, altera o cálculo político da oposição e do governo.

Sua presença física no debate público pode influenciar a articulação da direita e o cenário eleitoral, mesmo sem candidatura formal.


Redação - Veja


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