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Eduardo lidava com orçamento do filme sobre Bolsonaro, diz contrato

Reportagem do The Intercept teve acesso ao contrato do filme, assinado por Eduardo em janeiro de 2024. Vorcaro doou R$ 61 milhões para obra


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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) é um dos produtores-executivos do filme biográfico Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação faz parte do contrato da obra, ao qual o portal The Intercept Brasil teve acesso.

A reportagem teve acesso ao contrato da produção, firmado em novembro de 2023 e assinado por Eduardo Bolsonaro no dia 30 de janeiro de 2024. O documento coloca a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL) como produtores-executivos. A função dos dois era lidar com o orçamento e a gestão financeira de Dark Horse.

Nesta semana, o orçamento do filme entrou em debate após o The Intercept revelar que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar Dark Horse. Os recursos foram solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Na última quinta-feira (14/5), Eduardo negou que teria recebido valores advindos do repasse de Daniel Vorcaro. "A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria. Se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria", disse.

De acordo com o contrato, a produtora e os produtores-executivos agiram em conjunto para se dedicar a atividades de desenvolvimento do filme; entre elas, "envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio".

Assim como outros produtores da GoUp e o deputado federal Mário Frias, Eduardo teria responsabilidade sobre decisões relacionadas à captação e destinação dos recursos.

PF investiga se Vorcaro bancou Eduardo nos EUA

A Polícia Federal investiga se o dinheiro doado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o filme de Bolsonaro teria sido desviado para bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Mais do que despesas pessoais de Eduardo, que vive autoexilado com a família nos EUA desde março de 2025, investigadores apuram se os recursos também financiaram o lobby do ex-deputado contra autoridades brasileiras em articulação com o governo Trump.

Uma das linhas de investigação apura se o dinheiro de Vorcaro bancou, indiretamente, o lobby de Eduardo que pode ter resultado no tarifaço contra produtos brasileiros, na revogação de vistos e na aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades no Brasil.

Vorcaro fez doação de R$ 61 milhões para filme

Diálogos divulgados pelo The Intercept mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro falando sobre o filme. Uma das conversas ocorreu em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Segundo o Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões - mas não há evidências, segundo o site, de que todo o dinheiro tenha sido repassado.



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