O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29/5) que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) "não tem vergonha na cara" de "trair" o Brasil e de, segundo o petista, ir aos Estados Unidos pedir intervenção no território brasileiro.
Flávio Bolsonaro se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira (26/5), dois dias antes de o Departamento de Estado dos EUA classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. O senador disse que pediu a Trump que tomasse a medida, que é rechaçada pelo governo brasileiro.
A decisão da gestão Trump foi informada nessa quinta-feira (28/5) pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Lula lembrou que, quando esteve na Casa Branca para reunião com Trump, no início do mês, Rubio não participou do encontro.
"Eu fiquei três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para eles. Um deles era o documento do combate ao crime organizado. Seu Marco Rubio não estava lá. Possivelmente porque ele estivesse preparado para ajudar um filho de um bolsonarista que é candidato à eleição aqui neste país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil", declarou Lula.
"Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficariam presos lá. Essa é a verdade", continuou o presidente.
As declarações foram dadas durante anúncio de mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras em Sergipe, em Laranjeiras (SE).
Segundo o titular do Planalto, os bolsonaristas "estão incomodados" porque sabem que Lula vai ganhar as eleições. "Eles estão incomodados porque eles sabem que eu vou ganhar outra vez as eleições para presidente da República", disse.
Lula afirmou que ficou "muito triste" com a decisão do governo norte-americano e que o Brasil não aceita ser tratado como "moleques" e como "uma republiqueta".
"Eles não são os terroristas que o Trump quer. O Trump quer um Osama bin Laden, quer um não sei das quantas. E nós queremos os terroristas brasileiros que estão lá. Porque sabe que as armas importadas que são contrabandeadas para o Brasil vêm dos EUA. Vêm de lá as armas", pontuou.
O presidente também citou o ex-deputado Alexandre Ramagem, que está foragido da Justiça brasileira e foi condenado a 16 anos de prisão pelo envolvimento na trama golpista. Ramagem vive em Miami, na Flórida, desde o fim do ano passado. O governo brasileiro ainda espera resposta do governo Trump sobre o pedido de extradição dele.
"O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. E vamos começar pelo seu estado de Delaware, que tem lavagem de dinheiro de brasileiro. Vamos começar por aí. Vamos começar por aí, por entregar o Ramagem que está condenado a 16 anos e está escondido lá", declarou Lula.
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